Júri do Carandiru entra na reta final com interrogatório dos réus e debates entre acusação e defesa
Expectativa do juiz é de que a sentença dos 26 PMs saia ainda nesta sexta-feira
São Paulo|Do R7

O julgamento dos 26 policiais militares acusados do assassinato de 15 detentos no segundo pavimento do pavilhão nove da Casa de Detenção de São Paulo, em 1992, entra na reta final. Ao todo, 111 presos foram mortos durante o episódio que ficou conhecido como o “massacre do Carandiru”.
Nesta sexta-feira (19), o quarto dia do júri deve começar às 9h com o interrogatório de 4 dos 26 réus. Os que falarão em plenário serão escolhidos pela advogada de defesa, Ieda Ribeiro de Souza. Em seguida, estão previstos os debates entre acusação e defesa. Nesta fase, as partes terão três horas cada para convencer os jurados em plenário.
Os promotores de Justiça Fernando Pereira da Silva e Márcio Friggi serão os primeiros a expor seus argumentos. Depois é a vez da defesa. Caso a promotoria peça a réplica, serão mais duas horas para cada uma das partes. O total de tempo reservado para os debates pode chegar a dez horas. A expectativa do juiz José Augusto Nardy Marzagão, no entanto, é de que a sentença saia ainda nesta sexta-feira (19).
Massacre do Carandiru: julgamento tem pausas frequentes após jurado passar mal
O júri teve início na última segunda-feira (15) e chegou a ser suspenso na última quarta-feira (17) após um jurado passar mal.
Relembre história, invasão e massacre no complexo penitenciário
Os 26 réus respondem por homicídio qualificado — com uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. Além deles, outros policiais ainda serão levados a julgamento.
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Os próximos júris, que ainda não foram marcados, julgarão os que ocupavam o 3º pavimento (78 mortos, sendo que um único policial responde pela morte de cinco e será julgado separadamente), o 4º pavimento (oito mortos) e o 5º pavimento (dez mortos).
Ao todo, 286 PMs entraram no complexo penitenciário do Carandiru para conter a rebelião em 1992. Desses, 84 foram acusados de homicídio. Desde aquela época, cinco morreram e agora restam 79 para serem levados a julgamento.
Relembre o caso
O massacre do Carandiru começou após uma discussão entre dois presos dar início a uma rebelião no pavilhão nove. Com a confusão, a tropa de choque da Polícia Militar, comandada pelo coronel Ubiratan Guimarães, foi chamada para conter a revolta.
Até hoje, apenas Ubiratan Guimarães chegou a ser condenado a 632 anos de prisão, porém um recurso absolveu o réu e ele não chegou a passar um dia na cadeia. Em setembro de 2006, Guimarães foi encontrado morto com um tiro na barriga em seu apartamento nos Jardins. A ex-namorada dele, a advogada Carla Cepollina, foi a julgamento em novembro do ano passado pelo crime e absolvida.















