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Massacre do Carandiru: julgamento tem pausas frequentes após jurado passar mal

Em poucas horas, foram feitas 4 interrupções para preservar membros do conselho de sentença

São Paulo|Vanessa Beltrão, do R7

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Júri começou na segunda-feira no Fórum Criminal da Barra Funda
Júri começou na segunda-feira no Fórum Criminal da Barra Funda

Após um jurado passar mal e suspender por mais de 24 horas o julgamento de 26 policiais militares acusados de participação no massacre do Carandiru, os intervalos feitos durante o júri passaram a acontecer com mais frequência na tarde desta quinta-feira (18). As pausas, apesar de serem rápidas, prolongam ainda mais o encerramento dos trabalhos, previsto para essa sexta-feira (19). Em menos de duas horas, foram feitas quatro interrupções para preservar os membros do conselho de sentença.

O julgamento dos réus, suspenso temporariamente na quarta-feira (17), foi retomado por volta das 15h. A pedido dos promotores de Justiça Fernando Pereira da Silva e Márcio Friggi, foi feita a continuação da leitura das peças do processo por cerca de uma hora. Em seguida, vídeos com aproximadamente 30 minutos de duração foram exibidos em plenário.


O primeiro deles, mostrado a pedido da acusação, abordava o massacre do Carandiru com depoimento de autoridades,como o do ex-governador de São Paulo na época, Luiz Antônio Fleury Filho, também ouvido no júri, e imagens da antiga Casa de Detenção de São Paulo após a invasão policial, além de entrevistas com familiares dos detentos.

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A produção tinha imagens fortes dos corpos dos presos mortos no episódio. Além disso, o vídeo fazia relação com vários outros casos de atuação “truculenta” da polícia, em que criminosos já rendidos eram assassinados ou feridos por PMs.


Dentre os casos exibidos, estava o da Favela Naval, no ABC Paulista, episódio emblemático da história da Polícia Militar de São Paulo. PMs que patrulhavam a Favela Naval, em Diadema, foram flagrados torturando, humilhando, extorquindo e até matando pessoas em uma blitz em 1997. A pedido da defesa dos réus, também foi mostrado o documentário “São Paulo Sob Ataque”, que resume os ataques criminosos no Estado em 2006, atribuídos à facção PCC (Primeiro Comando da Capital).

A grande expectativa é que, em breve, os réus comecem a ser interrogados. Ao todo, 26 policiais militares estão sendo julgados pelo assassinatos de 15 detentos no segundo pavimento do pavilhão nove da Casa de Detenção de São Paulo, em 1992. As mortes no complexo prisional chegaram a 111.


A advogada dos PMs Ieda Ribeiro de Souza vai escolher quatro clientes para serem interrogados. Os nomes dos que falarão em plenário ainda não foram divulgados. Os réus respondem por homicídio qualificado — com uso de recurso que dificultou a defesa da vítima.

Relembre o caso

O massacre do Carandiru começou após uma discussão entre dois presos dar início a uma rebelião no pavilhão nove. Com a confusão, a tropa de choque da Polícia Militar, comandada pelo coronel Ubiratan Guimarães, foi chamada para conter a revolta.

Até hoje, apenas Ubiratan Guimarães chegou a ser condenado a 632 anos de prisão, porém um recurso absolveu o réu e ele não chegou a passar um dia na cadeia. Em setembro de 2006, Guimarães foi encontrado morto com um tiro na barriga em seu apartamento nos Jardins. A ex-namorada dele, a advogada Carla Cepollina, foi a julgamento em novembro do ano passado pelo crime e absolvida.

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