Massacre do Carandiru: réus respondem por quase 300 casos de resistência seguida de morte
Promotor afirmou que mortes na Casa de Detenção “mancham” história da PM
São Paulo|Julia Carolina, do R7
O promotor Eduardo Olavo Canto Neto usou as duas horas de réplica para tentar mostrar que a atuação dos 25 policiais militares acusados pelas mortes de 52 presos no massacre do Carandiru “manchou a história da Polícia Militar do Brasil”. A acusação trouxe ao plenário quase 300 autos de casos de resistência seguida de morte em que os réus estiveram envolvidos até o ano de 2.000. Um deles, Carlos Alberto Santos, teria se envolvido em 33 casos, e apenas um não teria participação em nenhum.
Durante sua fala, o promotor questionou a necessidade da violência que seria usada pela Polícia Militar durante as operações e pediu para que os jurados escutassem “as vozes da rua” e ainda para que colaborassem com uma “mudança de rumo”.
— É essa a polícia que nós queremos? Hoje detento [é morto], amanhã, o suspeito. Ou quem sabe aquele operário que volta para o trabalho. Isso [o julgamento] é um marco civilizatório.
Leia mais notícias de São Paulo
Advogada diz que Fleury deveria estar no banco dos réus
Antes da sentença, jurados do julgamento do Carandiru terão de responder a 7.300 perguntas
“Farsa”
O promotor usou seu tempo para discutir ainda as armas supostamente encontradas durante a revista na Casa de Detenção após as mortes. Segundo a PM, 13 armas de fogo foram encontradas.
Entre os depoimentos de então funcionários à época do episódio, ele mostrou um que dizia que, em 23 anos, apenas quatro armas haviam sido encontradas na Casa de Detenção e ressaltou, então, que não deveria haver a quantidade de armas que a polícia afirma.
— Armas brancas sim, eles criam armas brancas com tudo. Mas arma de fogo? Isso é raro. E também uma tropa diz que apreendeu quatro armas e outra que apreendeu três. E as outras.
Em sua fala, Canto Neto citou uma das armas para reforçar sua tese. Ele disse que um revólver 32, apresentado pela polícia como de um dos presos, foi investigado. A última vez que ele teria sido visto foi quando foi apreendido pela polícia.
Massacre do Carandiru: defesa reconhece mortes, mas pede individualização da acusação













