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Mortos em chacinas neste ano já superam em 70% o total de 2014 na Grande SP

Em pelo menos 4 das 14 ações deste ano há suspeitas de envolvimento de policiais

São Paulo|Do R7

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Ataques deixaram 18 mortos e 6 feridos nessa quinta-feira
Ataques deixaram 18 mortos e 6 feridos nessa quinta-feira

Com 14 casos registrados desde o início do ano, a Grande São Paulo já teve mais chacinas nestes oito meses do que em todo o ano de 2014, quando aconteceram nove ocorrências, segundo levantamento do R7 e da Agência Record. Além da maior quantidade de registros, em 2015 também estão os ataques mais violentos. No total, 61 pessoas morreram desde janeiro, número 70% maior do que o de 36 mortos no ano passado.

A polícia considera chacina ações que terminam no assassinato de três ou mais vítimas em um mesmo endereço. Deste modo, os ataques que deixaram 18 pessoas mortas e seis feridas nas cidades de Osasco e Barueri na quinta-feira (13) incluíram uma chacina: a do bar da rua Antônio Benedito Ferreira, no Jardim Munhoz Júnior, no qual oito pessoas foram assassinadas. As outras mortes aconteceram em ataques isolados.


Pelo menos seis pessoas e três veículos participaram das ações. De acordo com o secretário da Segurança Pública, Alexandre de Moraes, há indícios de que os ataques tenham relação entre si.

— Não foram as mesmas pessoas, os mesmos executores, mas não podemos descartar a possibilidade de um único grupo repartindo os executores.


A principal linha de investigação da polícia indica que os crimes estão relacionados com as mortes do cabo da Polícia Militar Avenilson Pereira de Oliveira e do guarda civil metropolitano Luís Rodrigues. Dois suspeitos de terem assassinado o policial foram identificados nesta sexta-feira (14).

Veja quem são as vítimas dos ataques na Grande SP


Cápsulas de armas de calibres 38 e .380 e uma pistola 9 milímetros foram encontradas nas cenas dos crimes. As primeiras são de uso da Guarda Civil Metropolitana e a arma é de uso das Forças Armadas. Os projéteis foram enviados para perícia a fim de descobrir se as armas utilizadas nos crimes são as mesmas.

Vídeos feitos por câmeras de segurança e relatos de testemunhas apontam que os assassinos conversaram com as vítimas antes de atirar e perguntaram pelo histórico criminal.


Pelo menos outras três chacinas registradas em 2015 na Grande São Paulo têm suspeitas da participação de policiais militares. No dia 18 de abril, oito pessoas foram mortas na sede da torcida organizada do Corinthians Pavilhão 9. O PM Walter Pereira da Silva Junior e o ex-policial Rodney Dias dos Santos, de 42 anos, foram presos suspeitos de envolvimento nos crimes. Pereira ainda é suspeito de ter atuado em uma chacina em Carapicuíba.

Um PM também foi responsabilizado pela chacina que deixou três jovens mortos em Mogi das Cruzes no dia 24 de janeiro. Além dessas, a morte de um PM teria sido o motivo para o assassinato de seis pessoas em Parelheiros na zona sul da capital.

De acordo com a ONG (organização não governamental) Anistia Internacional, entre 2013 e 2014, houve aumento de 80% nos casos de mortes decorrentes de intervenção policial no Estado de São Paulo. Segundo a Anistia, tais casos raramente são investigados, e a impunidade alimenta o ciclo de violência por parte dos policiais. O diretor-executivo da ONG no Brasil, Atila Roque, comentou o caso.

— Chacinas como a desta madrugada em São Paulo, infelizmente, têm feito parte da rotina da violência nas nossas cidades. Com frequência, policiais, dentro e fora de serviço, são responsáveis por uma parcela significativa desses homicídios. Uma investigação célere, transparente e imparcial deve ser conduzida imediatamente para que não reste dúvida sobre a autoria e a responsabilidade por essa barbárie.

Durante esta sexta-feira (14), circularam pelo aplicativo WhatsApp áudios supostamente gravados por membros do PCC (Primeiro Comando da Capital) decretando um toque de recolher nas cidades alvo dos ataques. Mas o governo negou que as gravações fossem reais e disse que reforçou a segurança em Osasco e região com 43 viaturas e 86 policiais militares.

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