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MP pede à USP suspensão de evento universitário onde foi constatado atos de violência física e sexual

Foram constatados também trotes violentos, humilhações e discriminação de gênero

São Paulo|Do R7

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Evento Show Medicina poderá ser suspenso a pedido do MP
Evento Show Medicina poderá ser suspenso a pedido do MP

O MP (Ministério Público do Estado de São Paulo) entregou, nesta segunda-feira (31), ao Diretor da FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), José Otávio C. Auler Jr., uma recomendação para que seja suspensa a autorização para a realização da 73ª edição do Show Medicina, tradicional evento da faculdade, onde se constatou a prática de trotes violentos, castigos físicos, humilhações e discriminação de gênero.

A recomendação, que inclui os ensaios para o show, é mais um passo do inquérito civil, instaurado em setembro de 2014 pela GEVID (Promotoria de Justiça de Direitos Humanos da Capital e pelo Grupo de Enfrentamento à Violência Domestica), para apurar a prática de violação de direitos humanos na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, após algumas vítimas denunciarem que diversos alunos, principalmente mulheres e homossexuais, vêm sendo submetidos a atos de exclusão e violência, física, sexual e moral, nas dependências do campus. 

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No documento consta ainda a recomendação para que a Direção FMUSP instaure sindicância administrativa para apurar os fatos apontados no Relatório da ALESP (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) - que instituiu CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar o caso -, tornando pública essa instauração e convocando os alunos interessados a depor, e comunicando a conclusão ao Ministério Público.

Segundo as investigações do MP e da ALESP, a Associação Cultural Show Medicina (responsável pela organização de diversos eventos na Faculdade), promove atividades em que, tradicionalmente, somente os homens podem participar, reservando às mulheres apenas a costura dos figurinos, em espaço segregado. Os homens não podem participar da costura e as mulheres estão impedidas de participar da apresentação.

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Ficou apurado também que para integrar o Show Medicina os interessados passam por um ritual constituído de trotes violentos e humilhantes, com forte assédios moral e sexual, além de violência física e noitadas com prostitutas nas dependências da Universidade.

Além de evitar que aconteçam novas edições do evento, o MP determina que a Associação Cultural Show Medicina adote processo aberto a todos os alunos, em local público, abolindo-se a prática dos trotes, e que os critérios de admissão e a finalidade da seleção sejam amplamente divulgados. Recomenda também que a participação na elaboração do conteúdo do evento e a apresentação das atrações deverão ser franqueadas a todos os integrantes da associação, independentemente do gênero e que não permitam qualquer atividade caracterizada por violência, trotes humilhantes, assédio moral e/ou sexual.

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O diretor da Faculdade de Medicina terá que responder a recomendação em até 30 dias, sob pena de adoção de medidas judiciais como, por exemplo, a instauração de ação civil pública.

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