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"Ninguém sai ganhando daqui", diz mãe de jovem morto em estacionamento de lanchonete após júri de acusado

Fernando Araújo da Silva foi condenado a 14 anos de prisão por participação no crime

São Paulo|Lumi Zúnica, especial para R7

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Crime ocorreu no dia 7 de abril de 2013 na zona oeste de SP
Crime ocorreu no dia 7 de abril de 2013 na zona oeste de SP

Em um julgamento que durou pouco mais de 15 horas, o júri composto por 3 mulheres e 4 homens condenou o réu Fernando Araújo Lópes da Silva a 14 anos de reclusão pela sua participação no assassinato de Diego Ribeiro Cassas. O crime ocorreu no dia 7 de abril de 2013 no estacionamento de uma lanchonete da rede Mc Donalds, na zona oeste de São Paulo.

Pronunciada a sentença, Rosana Ribeiro Cassas, mãe de Diego, se diz aliviada pela condenação e acredita que a pena está de acordo com a sua participação no crime, mas que aguarda a prisão de Caio e a aplicação da pena máxima para ele. 


— Ninguém sai ganhando daqui.

Marcada para as 9h, a sessão começou com atraso de quase uma hora e meia. Silva, vestindo camiseta branca, calça caqui e chinelos e visivelmente abatido, teve por tese de defesa a falta de provas técnicas que o incriminassem.


Segundo Roseli Soglio, advogada de defesa, o acusado não teve participação nos atos que levaram a morte de Diego, desconhecendo inclusive que o autor dos disparos, seu amigo Caio, estivesse armado. Roseli e os assistentes de defesa Luiz Antonio de Oliveira e Mateus de Almeida, apresentaram um gráfico do local do crime e alguns vídeos de câmeras de segurança tentando mostrar que Silva só estava no local, mas não teria tido participação ativa na agressão que acabaria com a morte de Diego Cassas.

De outro lado, o promotor do caso, Hidejalma Muccio, baseou a acusação na tese de que Silva não só sabia que Caio estava armado, como também colaborou com ele dando apoio moral e físico para o cometimento do crime.


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Muccio salientou que os depoimentos prestados por Silva durante o júri eram contraditórios com os que dera à polícia na fase inicial de inquérito. Destacou que, na época, o acusado declarou no DHPP (Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa) que após a briga na saída da boate ficou o tempo todo com Caio — não se separando em momento algum — e que após permanecer alguns minutos em um posto de gasolina, prosseguiram para o Mc Donalds para recuperar um toca-CD que teria sido furtado do carro de Caio pelos jovens com que brigaram.

Porém, durante o júri Silva disse ter deixado Caio no posto e ido levar Gabriela, irmã de Caio, até casa de uma amiga para pegar umas roupas. Ao voltar, os três foram até a lanchonete. Para o promotor, nenhuma das versões é verdadeira e acredita que neste intervalo os acusados providenciaram a arma e premeditaram a morte de Diego.

Durante seu depoimento, Silva disse que após o crime ele, Caio e Gabriela fugiram até um sítio de propriedade do pai de Caio nas imediações de Sorocaba, onde permaneceram por sete dias. No trajeto, Caio se livrou da arma jogando-a no rio Tietê, altura da ponte da Freguesia do Ó, com o carro em movimento, contrariando depoimento prestado para a polícia meses antes quando afirmou ter se livrado da arma no próprio estacionamento da lanchonete onde Diego foi morto.

"Não sou super heroi"

Questionado pela promotoria sobre a briga na saída da boate, Silva disse que Caio e Gabriela andavam a sua frente quando percebeu que acontecia um bate boca entre eles e um grupo de jovens.

Ele tentou separar a briga mas apanhou e correu até a porta da boate deixando o amigo e a irmã sozinhos.

— Eram dez ou treze [pessoas].

Perguntado se agiu por covardia, Silva respondeu:

— Não sou super herói.

O jovem complementou afirmando que acabou a rixa com escoriações leves e Caio com o ombro deslocado. Esta afirmação levou a promotoria a questionar o repentino surgimento de coragem de Silva que, após fugir e abandonar os amigos por medo de apanhar, foi até a lanchonete com Caio para encontra-los novamente. Segundo Muccio, o acusado se sentiu amparado ao contar com a arma que Caio escondia na cintura.

— A arma lhes dá a segurança da ação.

685 dias de dor

"Este é o tempo transcorrido desde o assassinato covarde de Diego", afirmou Patrícia Vega, assistente de acusação, que sustenta que a vítima estava de braços cruzados quando recebeu o primeiro dos três disparos que o atingiu pelas costas.

— Ele não teve chance de defesa.

Silva esteve foragido até fevereiro de 2014, quando foi preso em Minas Gerais. Caio permanece foragido, com a prisão preventiva decretada. A defesa afirma que recorrerá da decisão.

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