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Promotor de SP diz ter recebido ameaças após declarações ofensivas a manifestantes

Rogério Zagallo xingou grupo que protestava e sugeriu que PM os matasse

São Paulo|Fernando Mellis, do R7

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Promotor disse que declaração foi usada fora de contexto
Promotor disse que declaração foi usada fora de contexto

Após sugerir no Facebook que a PM matasse manifestantes que protestavam contra o aumento da passagem e prejudicavam o trânsito na zona oeste da capital, na sexta-feira (7), o promotor Rogério Leão Zagallo disse ao R7 ter sido ameaçado. Ele explicou que a declaração foi a algumas pessoas, amigos, e que não esperava que isso fosse se tornar público.

— Já recebi várias [ameaças], por telefone, por mensagem no Facebook, desde ontem... Minha mulher [também]. Ameaças de morte.


Na segunda-feira (10), a Corregedoria do Ministério Público de São Paulo, instaurou procedimento administrativo para apurar a publicação de Zagallo na rede social. O promotor se disse arrependido e surpreso com a repercussão do texto que, segundo ele, foi usado “fora de contexto”.

— Jamais poderia imaginar que a coisa fosse tomar uma dimensão dessas. Eu não faria um negócio daqueles em público. Nunca quis manchar a minha biografia da forma como estão falando. O custo disso foi muito alto, não só pessoal, como profissional. Minha família está extremamente assustada. Eu só não tenho interpretado como corretas essas ameaças. Eu vou me defender e confio que vou conseguir provar que eu nunca quis, em hipótese nenhuma, quis fazer uso de uma rede social em prejuízo.


Ele ainda acrescentou que as supostas ameaças se estenderam também ao filho, em decorrência de ter chamado os manifestantes de filhos da p***.

— O contexto [do comentário] é filho, então estão falando que vão matar meu filho. [...] Esse tipo de coisa.


Ao dizer que não está assustado, Zagallo também afirmou que não tomou qualquer medida de precaução depois das supostas ameaças.

— Não tenho o que tomar, não tenho o que fazer. Não tenho dinheiro para contratar segurança, nem acho que é o caso. De qualquer modo vou continuar fazendo o que eu sempre fiz. Não assusta. Em 20 anos, enfrentei os piores bandidos. Não vão ser estudantes que vão me assustar.


A declaração polêmica

Na noite de sexta-feira, o promotor escreveu aos mais de 2.000 amigos que tem no Facebook enquanto estava preso no trânsito.

“Estou há duas horas tentando voltar para casa mas tem um bando de bugios revoltados parando a Avenida Faria Lima e a Marginal Pinheiros. Por favor, alguém poderia avisar a Tropa de Choque que essa região faz parte do meu Tribunal do Júri e que se eles matarem esses filhos da p*** eu arquivarei o inquérito policial. Petistas de m***. Filhos da p***. Vão fazer protesto na p*** que os pariu... Que saudades da época em que esse tipo de coisa era resolvida com borrachada nas costas dos medras (sic)"

Protestos

O protesto que atrapalhou a volta para casa do promotor foi o segundo organizado pelo MPL(Movimento Passe Livre) após o aumento das tarifas do transporte público em São Paulo. A caminhada de sexta-feira (7) começou no largo da Batata, em Pinheiros, e percorreu importantes avenidas como a Brigadeiro Faria Lima, Rebouças, a Marginal Pinheiros e a Pedroso de Morais.

A manifestação juntou cerca de 2.000 pessoas e foi acompanhada pela Tropa de Choque da PM, que chegou a enfrentar alguns participantes, na marginal Pinheiros e na avenida Professor Frederico Herman Júnior. Naquela noite, a capital registrou o terceiro maior índice de congestionamento do ano

Histórico de confusões

Esta não é a primeira polêmica em que se envolve o promotor Rogério Leão Zagallo. Em setembro de 2011, ele declarou que “bandido tem que tomar tiro para morrer”. Foi com argumentos desse tipo que ele pediu à Justiça de São Paulo para arquivar um processo sobre um suposto assalto contra um policial civil que terminou com um suspeito morto.

O crime, considerado pelo promotor como ato de "legítima defesa" ocorreu em setembro de 2010. O texto da promotoria é de 24 de março de 2011. Segundo Zagallo descreveu em seu pedido de arquivamento de processo enviado, o crime foi registrado na delegacia como homicídio doloso (quando há intenção de matar), uma vez que o suspeito foi morto.

Na visão do promotor, porém, houve um erro no registro da ocorrência porque o policial não teria cometido assassinato, e sim, agido em legítima defesa.

Em sua argumentação, Zagallo diz “lamentar, todavia, que tenha sido apenas um dos rapinantes enviado para o inferno” e deixa um conselho para o policial: “melhore sua mira”. Zagallo diz ainda que o suposto bandido foi morto “para o bem da sociedade”.

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