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Racionamento traria custos em vez de poupar água, diz ex-presidente da Sabesp

Gesner Oliveira elogia medidas adotadas pela companhia na crise hídrica

São Paulo|Amanda Mont'Alvão Veloso, do R7

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Apesar de recomendação do Ministério Público, Sabesp descarta racionamento
Apesar de recomendação do Ministério Público, Sabesp descarta racionamento

O racionamento de água em São Paulo, recomendado pelo MPF (Ministério Público Federal), geraria mais gastos do que economia, afirma o ex-presidente da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo), Gesner Oliveira, que ficou à frente da companhia de 2007 a 2010.

— O racionamento é muito custoso e quando você interrompe o abastecimento, há uma variação na vazão que causa pressão na rede. Essa variação aumenta a frequência dos vazamentos, e o custo com as perdas é muito grande. Então, se gasta mais do que se poupa com o racionamento.


A estratégia de racionar a água na região metropolitana de São Paulo foi oficialmente cobrada pelo MPF (Ministério Público Federal) na última terça-feira (29). A Sabesp, no entanto, já descartou a recomendação, alegando que a população seria prejudicada.

O atual consultor de recursos hídricos, que participou da Fenasan, feira do setor de saneamento realizada na quinta-feira (31), em São Paulo, concorda com as atuais medidas tomadas pela companhia para enfrentar, a curto prazo, a maior estiagem da história. Dentre elas, cita o programa de redução de consumo, o remanejamento de sistemas para abastecer a população e a cobrança de uma taxa extra para o consumo do recurso hídrico.


— Essas medidas são naturais diante de uma estiagem que é muito severa e, do ponto de vista estatístico, é uma ocorrência muito rara.

Ele pondera, no entanto, que é preciso reduzir as perdas na produção e distribuição de água. Atualmente, o Estado tem 34,22% de desperdício — a meta da Sabesp para 2019 é chegar a 15% do total.


— O que essa crise coloca é uma necessidade de se pensar uma mudança de atitude em relação à água. Uma nova estratégia, um ciclo sustentável. A redução das perdas é parte desse processo. Tem que reutilizar a água, é preciso combater brutalmente o desperdício e o município pode ter uma legislação que proíba. A gente deveria aproveitar essa estiagem estatisticamente raríssima pra atacar as questões de longo prazo.

Questionado sobre o alto preço pago pela população para comprar peças que viabilizem a economia de água, Oliveira diz que falta esforço dos municípios, do Estado e da União.


— Poderíamos pensar quais estímulos tributários, como o ICMS e IPI, poderiam ser adotados para a redução do custo de equipamentos poupadores de água. Além disso, toda a rede de ensino poderia ser colocada em programa de uso racional de água, do ponto de vista das políticas públicas.

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