Logo R7.com
RecordPlus

Segundo dia de julgamento de Mizael relembra detalhes do crime e tem clima tenso entre defesa e acusação

Novamente, advogados do réu e promotor do caso discutiram no plenário

São Paulo|Do R7

  • Google News
Mizael acompanha o segundo dia de julgamento no Fórum de Guarulhos
Mizael acompanha o segundo dia de julgamento no Fórum de Guarulhos

O segundo dia de julgamento de Mizael Bispo, acusado de matar a ex-namorada Mércia Nakashima em 2010, foi marcado por clima tenso e por diversos bate-bocas entre a defesa e a acusação. Além disso, detalhes do crime, como o álibi e os registros telefônicos do réu, foram levados ao plenário. Nesta terça-feira (12), ainda, foi a primeira vez que Mizael assistiu aos depoimentos dentro do plenário, já que nesta segunda-feira (11), ele ficou fora da sala a pedido das testemunhas.

O primeiro depoimento do dia, no Fórum Criminal de Guarulhos, na Grande São Paulo, foi do delegado Antônio de Olim, responsável pelas investigações do caso na época do crime. Ele disse ter certeza sobre a autoria do crime.


— Não tenho dúvida nenhuma que Mizael matou Mércia.

O delegado também garantiu que o ex-policial praticou o crime de forma premeditada, montando álibis para justificar sua pretensa inocência. Ele ainda afirmou que duvida que o policial reformado esteve em companhia de uma prostituta durante este período.


— Ele não sabia o nome da mulher e, só depois de muita pressão, lembrou a cor do cabelo. Depois deu apenas R$ 20. Além do que, é estranho transar em um lugar de tanto movimento, sem chamar a atenção.

Olim citou detalhes da investigação e, em seu testemunho, disse que o vigia Evandro Bezerra da Silva, também acusado de participar do crime, foi buscar Mizael Bispo na represa de Nazaré Paulista, onde o corpo de Mércia foi encontrado em junho de 2010.


Vídeo

Um dos momentos mais tensos do depoimento foi a exibição de um vídeo com um testemunho de Evandro Bezerra da Silva, que teria ajudado Mizael a fugir após o assassinato de Mércia. De acordo com a defesa do réu, o delegado teria torturado o vigia para que ele incriminasse o ex-policial.


Após a transmissão, acusação e defesa concordaram que o vídeo não aponta indícios de tortura. No entanto, Ivon Ribeiro, um dos advogados de Mizael, questionou as imagens de forma irônica.

— Não houve tortura filmada. Este absurdo não aconteceu.

O promotor Rodrigo Merli, também em tom sarcástico, respondeu a Ribeiro.

— Também não temos vídeo do Mizael matando a Mércia, esse absurdo!

Tortura

A segunda testemunha a ser ouvida foi o advogado Arles Gonçalves Júnior. Ele é membro da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e foi indicado na época para acompanhar o inquérito policial. Durante o depoimento, ele destacou, ao ser questionado pelo promotor Rodrigo Merlin, que não verificou abusos durante as investigações da morte de Mércia Nakashima.

Ele afirmou ainda que esteve presente durante o interrogatório do vigia Evandro Bezerra da Silva, no qual delatou Mizael, e negou tortura. Evandro também é acusado pelo assassinato da vítima e, após admitir participação na morte em 2010, alegou que foi torturado para confessar o crime. Também segundo a testemunha, o vigia chegou a dizer que Mizael estava bravo com Mércia e que pretendia tomar providências contra ela.

Nesse depoimento, a defesa e a acusação voltaram a bater boca. Gonçalves Junior chegou a afirmar que estava ofendido após uma colocação dos advogados de Mizael.

“Clima de harmonia”

A terceira testemunha do dia — e primeira convocada pela defesa de Mizael Bispo — foi a corretora de imóveis Rita Maria de Souza. Ela contou que conhece o réu desde 2004, quando ele alugou o escritório sobre a imobiliária onde ela trabalhou, no bairro Bonsucesso, em Guarulhos. 

Segundo Rita, Mércia e Mizael viviam em “clima de harmonia” e a advogada era "tranquila e estava sempre contente”. Ela destacou ainda que não presenciava brigas entre os dois e, questionada se Mércia alguma vez se queixou de Bispo, respondeu que não, pois não tinha amizade com ela, só “coleguismo”.

O promotor do caso, Rodrigo Merli, afirmou a corretora "é uma testemunha sem credibilidade, parcial, amiga, bastante íntima do senhor Mizael, que inclusive assinou um abaixo-assinado em seu favor, escreveu uma carta e encaminhou para prisão".

Ligações de Mizael

A última testemunha do dia foi o policial civil Alexandre Simone Silva, convocado pela defesa. De acordo com o depoimento do investigador, Mizael e o vigia Evandro Bezerra conversaram 19 vezes no dia do desaparecimento da vítima por um telefone “frio”, ou seja, que não estava cadastrado no nome do réu.

Um ponto que chamou a atenção do policial, segundo ele, é que o réu ligava para a vítima em um telefone cadastrado no nome dele e, na sequência, telefonava para o vigia usando outro telefone. O telefone “frio” não teria mais sido utilizado após o dia 23 de maio.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.