Solução de crimes bárbaros merece prioridade, diz pesquisador
R7 ouve estudiosos que apontam impunidade como fator de aumento na criminalidade
São Paulo|Ana Cláudia Barros, do R7

Para o pesquisador da Escola de Direito da FGV (Fundação Getúlio Vargas) e especialista em segurança pública Guaracy Mingardi, uma forma de coibir crimes violentos como os que foram cometidos contra dois dentistas em São Paulo, é “dar absoluta prioridade para a investigação” de ocorrências dessa natureza.
— Se for dada prioridade número 1 para [a apuração dos] crimes violentos, eles não vão ser colocados burocraticamente que nem os outros e vão diminuir, porque o raciocínio é o seguinte: “Se eu cometer latrocínio, vou ser pego. Se eu roubar, a probabilidade é menor”.
O especialista em segurança acrescenta que, para o criminoso, ser capturado é mais significativo do que a penalidade que ele possa vir a sofrer.
— O grande problema é ser preso ou não. Não é ao questão do tamanho da pena.
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O jurista Luiz Flávio Gomes concorda e considera que a impunidade é um dos fatores que explicam a crueldade empregada nos crimes, já que no Brasil, ressalta, “não se apura quase nada”.
— Mudar a lei é mera perfumaria nesse contexto. O criminoso não está nem aí para a lei. Não olha a pena. Pelo nível dele de desprezo pela vida, já não considera mais as regras de pena. Dez, 20, 50 anos. Para ele tanto faz.
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O professor acrescenta:
— É uma parte da sociedade desconectada do todo. Só que essa parte é atuante e violenta. É o preço que o todo paga. O todo, ao deixar uma parte podre, sofre e paga o preço.
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Gomes entende que para reverter o problema, são necessárias “mudanças mais profundas”.
— É mudar educação, ética, ensinar coisas positivas. Ou faz mudanças radicais, tipo educação radical, todo mundo na escola obrigatoriamente até os 18 anos, ou o caos absoluto e total.
Casos continuarão a existir
Para o professor Theo Dias, a criminalidade pode ser reduzida com medidas, como controle de armas, trabalho de prevenção junto aos jovens, policiamento comunitário e investigação policial. Ele pontua, entretanto, que o ato bárbaro sempre existirá.
— Sempre haverá o imponderável. Sempre haverá aquele que mata por sadismo, por vingança, por motivo fútil, pela droga. Aquele que mata por ter um desvio psicológico. O fato bárbaro infelizmente está presente em todas as sociedades. Ricas, com desigualdade. Obviamente que isso não pode ser um raciocínio que leve ao imobilismo, de achar que é assim mesmo. É preciso trabalhar para reduzir esses casos ao máximo, investindo em prevenção e em repressão. Os casos bárbaros sempre existiram e continuarão a existir.













