Suspeita de torturar rival com cigarro é transferida para "presídio dos famosos"
Ministério Público denunciou Elisângela Maciel por tortura e constrangimento ilegal
São Paulo|Ana Cláudia Barros, do R7

Presa desde o dia 27 de outubro, a suspeita de torturar uma adolescente com cigarro no litoral paulista em setembro foi transferida para o Complexo Penitenciário de Tremembé, no interior de São Paulo. A informação é do advogado dela, Fábio Baptista. Elisângela Maciel, que no Facebook se apresentava como Elisângela Granneman, ficou incialmente no 2° Distrito Policial, localizado na cidade de São Vicente, também no litoral do Estado.
O Complexo Penitenciário de Tremembé, onde a suspeita está desde a última quarta-feira (10), é famoso por ter entre seus detentos acusados de crimes que tiveram repercussão nacional, como a ex-universitária Suzane von Richthofen, condenada pela morte dos pais; Elize Matsunaga, acusada de matar e de esquartejar o marido, o executivo da Yoki Marcos Matsunaga; Lindemberg Alves, assassino da jovem Eloá e o casal Nardoni, condenado pela morte da menina Isabella Nardoni.
Elisângela foi indiciada inicialmente por sequestro, tortura e cárcere privado. De acordo com Baptista, o Ministério Público não acolheu a denúncia integral apresentada pela titular da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Praia Grande, Rosemar Cardoso Fernandes. Segundo ele, a Promotoria, no momento formalizar a acusação junto ao Judiciário, “só encontrou possibilidade do crime de tortura e do de constrangimento ilegal”.
— Jamais existe sequestro se a pessoa vai voluntariamente (a defesa defende a tese de que a vítima seguiu com a suspeita por vontade própria). Assim como cárcere privado. A residência encontrava-se aberta, e várias pessoas entraram e saíram. O Ministério Público reconheceu a inexistência dos crimes de cárcere privado e de sequestro.
Na avaliação do advogado, “as teses acusatórias estão caindo por terra”.
— Com o tempo, vão cair todas. Mas isso é uma questão de defesa.
“Ela se acha injustiçada”
Para Fábio Baptista, a repercussão da história na imprensa fez com que as autoridades tratassem o caso com mais severidade.
— Elisangêla sente falta do filho, dos pais, do convívio em família. Ela se acha uma injustiçada. Há crimes piores e as pessoas estão respondendo em liberdade [...] A lesão corporal [na vítima] foi de natureza leve. E Elisângela está respondendo por um crime hediondo sem cometer esse crime.
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Antes de vencer a prisão temporária, o Ministério Público pediu a preventiva, o que foi concedido pela Justiça, conforme o defensor.
— Entrei com pedido de revogação da preventiva, e o juiz substituto aditou a denúncia — ainda não sei os termos, vou verificar hoje (sexta-feira) — e um novo prazo para que fornecesse defesa preliminar. Então, a defesa vai se manifestar nos próximos dias e, provavelmente, vou entrar com habeas corpus porque está muito confusa a acusação.
Assista ao vídeo da suspeita de agressão:
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Elisângela ficou 20 dias foragida. Inicialmente, a defesa dela informou que apresentaria a suspeita durante o período eleitoral, já que o artigo 236 do Código Eleitoral (Lei 4737/65) determina que “nenhuma autoridade poderá, desde cinco dias antes e até 48 horas depois do encerramento da eleição, prender ou deter qualquer eleitor, salvo em flagrante delito ou em virtude de sentença criminal condenatória por crime inafiançável, ou, ainda, por desrespeito a salvo-conduto”.
Mas um detalhe fez cair por terra a estratégia: a jovem não estava inscrita na Justiça Eleitoral, portanto, não poderia ser considerada eleitora. Desta forma, a titular da DDM de Praia Grande, Rosemar Cardoso Fernandes, responsável pela condução da investigação, não foi impedida de realizar a prisão.

Defesa na internet
Ainda foragida, Elisângela resolveu se defender usando a internet. Em vídeo de pouco mais de nove minutos, postado no YouTube, a jovem alegou que não é uma "cobra" e tentou justificar a agressão contra a adolescente.
O pivô da briga seria o então companheiro de Elisângela. Ela argumentou que a vítima é ex-namorada do rapaz e que nunca aceitou o fim do relacionamento. Por esta razão, continuaria a “correr atrás” do jovem.
“Ai, que delícia”
O momento em que Elisângela agride a adolescente foi registrado. No vídeo, que tem duração de pouco mais de um minuto, a vítima é ameaçada e forçada a se autodepreciar.
Em determinado instante, a agressora queima o rosto da jovem e e fala, em tom de sarcasmo: “Uma marquinha para você nunca mais se esquecer da Elisângela [...] Ai, que gostoso! Ai, que delícia”.
As imagens da agressão espalharam-se pelas redes sociais, provocando revolta entre internautas. Outra suspeita, que teria filmado a violência, também foi presa.
As cenas foram gravadas no final de setembro, mas só se caíram na rede dias depois. A agressão, segundo a polícia, teria durado três horas, versão rebatida por Elisângela.













