"Tenho certeza de que a acusada matou o coronel", diz promotor sobre Cepollina
Por falta de provas, Carla Cepollina foi absolvida pelo júri
São Paulo|Ana Cláudia Barros, do R7

Foi com um ligeiro sorriso nos lábios que a advogada Carla Cepollina entrou no plenário dez, do Fórum Criminal da Barra Funda, na noite desta quarta-feira (7) para receber a sentença que a absolveu.
Enquanto o juiz Bruno Ronchetti lia os agradecimentos, Carla manteve a postura ereta, demonstrando a confiança que apresentou ao longo dos três dias de julgamento. Com uma mão sobre a outra, de pé, ela foi informada sobre o resultado.
Momentos após o último dia de júri, apesar de declarar que não vai recorrer da sentença que absolveu a advogada Carla Cepollina, o promotor João Carlos Calsavara afirmou, ter “certeza de que foi a acusada que matou o coronel”.
Leia mais notícias de São Paulo
Carla era ré do processo sobre o assassinato do coronel Ubiratan Guimarães, com quem teve um relacionamento amoroso. O militar ficou conhecido nacionalmente após comandar a Tropa de Choque da PM na invasão à Casa de Detenção de São Paulo durante rebelião, em 1992. Na ocasião, 111 presos morreram e o episódio entrou para a história como “massacre do Carandiru”.
Ubiratan foi encontrado morto no apartamento onde morava, nos Jardins, em setembro de 2006. Ele levou um tiro na barriga.
Calsavara explicou por qual razão não vai recorrer.
— Tenho certeza de que foi a acusada que matou o coronel. Vou levar isso para mim. Peço perdão à família da vítima. Fiz o meu papel, honrei o meu trabalho. Não vou recorrer, porque entendo que quem foi julgado foi o coronel Ubiratan. Agora não nos resta mais nada a não ser aceitar o que a sociedade de São Paulo quer. É a polícia caçada nas ruas, é a violência.
Calsavara acrescentou que, mesmo não concordando com a decisão, tem que acatá-la.
— Tenho respeito por decisões judiciais. Não concordo, mas as acato. Hoje a sociedade de São Paulo, no julgamento, decidiu que as provas técnicas, periciais, testemunhais militaram, não a favor da Carla, mas contra o coronel Ubiratan.
O assistente de acusação, o advogado Vicente Cascione, contratado pela família da vítima, apresentou opinião diferente. Para ele, os sete integrantes do Júri não representam o pensamento da sociedade paulista.
Na análise dele, os jurados estavam “impermeáveis” aos argumentos expostos pela acusação durante o julgamento.
— Disse, no primeiro dia, que se os jurados fossem pela prova, ela [Carla Cepollina] seria condenada. Se fossem por outras razões que não eram a prova, ela seria absolvida.
Para Cascione, Ubiratan era “um réu para a vida toda”.
— Ele foi massacrado durante anos e anos como autor de um massacre [no Carandiru] que não houve.
Calsavara fez avaliação semelhante.
— O coronel era um homem estigmatizado. É um ícone de uma década que foi julgado de novo aqui. Ele é emblemático no caso do Carandiru. Ele foi absolvido, mas hoje foi condenado de novo.
Poucos meses antes de ser assassinado, Ubiratan — o único dos mais de cem denunciados pelo episódio do Carandiru a ser julgado —, foi absolvido. Ele havia sido levado a júri popular em 2001, quando recebeu condenação de 632 anos de prisão pela morte de 102 detentos. Mas cinco anos depois, a sentença foi anulada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.
“Mãe advogada”
Tanto o promotor quanto o assistente de acusação destacaram que o fato de Carla ter sido defendida também pela mãe, a advogada Liliana Prinzivalli, pesou na decisão dos jurados. Calsavara reconheceu que a defesa estava “muito bem preparada”.
— Não acredito em falha de ninguém. Foi uma votação diferente, onde a mãe da acusada atuou, e isso pesa, e a vítima era o coronel Ubiratan.
Cascione fez coro.
— Votaram a favor da advogada mãe, que defendeu a filha. Votaram contra o coronel.
Recomeço
Após ser absolvida pelo júri na noite de quarta-feira, Carla foi indagada pela imprensa, na porta do Fórum, se pretendia comemorar. A advogada respondeu apenas que iria rezar e se reunir com a família.
Questionada se era a favor da reabertura da investigação policial para que fosse encontrado o assassino do coronel, ela respondeu que sim.
Eugenio Malavasi, um dos advogados de Carla, destacou que o principal argumento da defesa foi o horário da morte de Ubiratan. No início da tréplica, a advogada Liliana Prinzivalli leu para os jurados um trecho de um livro de medicina legal, destacando que nenhum médico legista é capaz de determinar a hora da morte de uma pessoa.
O julgamento de Carla terminou às 19h20 desta quarta-feira. O júri, que ocorreu no Fórum Criminal da Barra Funda, começou na segunda-feira (5).
Assista ao vídeo:
{
"data": {
"id": "509b89036c4db258850033c5",
"namespace": "videos",
"content": "%3Ciframe%20width%3D%22445%22%20height%3D%22270%22%20frameborder%3D%220%22%20marginheight%3D%220%22%20marginwidth%3D%220%22%20scrolling%3D%22no%22%20src%3D%22http%3A%2F%2Fvideos.r7.com%2Fr7%2Fservice%2Fvideo%2Fplayervideo.html%3FidMedia%3D509ad8acb61c977f72451225%22%3E%3C%2Fiframe%3E"
},
"embedded": {
"_id": "509b89036c4db258850033c5",
"content": "%3Ciframe%20width%3D%22445%22%20height%3D%22270%22%20frameborder%3D%220%22%20marginheight%3D%220%22%20marginwidth%3D%220%22%20scrolling%3D%22no%22%20src%3D%22http%3A%2F%2Fvideos.r7.com%2Fr7%2Fservice%2Fvideo%2Fplayervideo.html%3FidMedia%3D509ad8acb61c977f72451225%22%3E%3C%2Fiframe%3E",
"dimensions": null,
"embeddable_id": null,
"name": null,
"disable_adv": false,
"section_name": "noticias",
"videos": []
}
}Leia também

Durante interrogatório, Carla Cepollina pede para ser chamada de doutora

Promotor quer condenação de 18 a 20 anos para Carla Cepollina

Seis homens e uma mulher irão decidir futuro de Carla Cepollina

Acusada diz que Ubiratan pediu que ela ficasse no apartamento na noite do crime

Juiz expulsa dois filhos de coronel Ubiratan durante júri de Carla Cepollina













