Logo R7.com
RecordPlus

Testemunha de defesa diz que vítima perseguia Farah

Ex-funcionária disse ter deixado o emprego por causa do aborrecimento causado pela paciente

São Paulo|Do R7

  • Google News
Psiquiatra atestou que Farah (foto) não tem problemas psiquiátricos
Psiquiatra atestou que Farah (foto) não tem problemas psiquiátricos

Os dois primeiros depoimentos do julgamento do ex-cirurgião Farah Jorge Farah, acusado de matar e esquartejar a paciente Maria do Carmo Alves, confrontaram a personalidade da vítima e do réu. Farah,condenado em 2008 a 13 anos de prisão por homicídio e ocultação de cadáver, voltou nesta segunda-feira (12) ao banco dos réus.

A ex-atendente Rosângela Rosa da Silva, chamada pela defesa, foi ouvida primeiramente, por estar grávida de oito meses.


— Ela fazia cem ligações por dia [para a clínica]. Nós chegamos a ponto de contar.

A atitude da Maria do Carmo preocupou Rosângela, segundo seu relato, porque ela teria rondado a clínica e aparecido sem hora marcada, procurando Farah. Os três telefones da recepção teriam ficado ocupados de tantas ligações que a paciente fazia entre um e dois anos após ela ter sido operada pelo acusado.


— É no mínimo espantoso, por causa do risco da pessoa, rondando a clínica, ficando muito nervosa.

Rosângela também contou aos jurados que deixou o emprego por causa do constante aborrecimento com a insistência de Maria do Carmo.


O psiquiatria Irito Shirakawa, vice-presidente da Associação Brasileira e Psiquiatria, foi um dos médicos chamados pelo Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) para dar um parecer sobre o estado mental do ex-cirurgião após o crime. A junta constatou que ele não era psicopata e que não sofria de epilepsia. Uma das linhas de defesa é que o réu não estava consciente quando atacou a vitima, em suposto caso de "estado crepuscular", um distúrbio neurológico que ocorre quando uma pessoa, que sofre de constantes convulsões, fica sem noção do que está fazendo.

Segundo o psiquiatra, isso ocorre por um breve período e não por 12 horas, como alega a defesa. Shirakawa afirmou também que o exame neurológico descartou epilepsia. Para o médico, Farah é um homem normal.


— Ele respondeu a todas as perguntas adequadamente.

Leia mais notícias de São Paulo

“Perante Deus, já paguei meus pecados”, diz ex-médico que esquartejou paciente

Crueldade

Réu confesso, o ex-cirurgião foi condenado em 2008 a 13 anos de prisão por homicídio e ocultação de cadáver - a defesa, contudo, conseguiu a anulação do julgamento - e já foi preso três dias depois de ter matado a amante Maria do Carmo Alves, de 49 anos, com requintes de crueldade, em 2003. Ele foi solto em 2007 e aguarda o julgamento em liberdade por causa de um habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal.

A parte mais chocante do caso prescreveu no ano passado. Isso porque a Justiça decretou prescrito o crime de ocultação de cadáver. Para esconder o corpo de Maria do Carmo, segundo a promotoria, Farah retirou a pele da vítima cirurgicamente do rosto, mãos e pés, dividindo-a em pedaços e guardando-a no porta-malas do carro.

Apesar de ele estar apreensivo às vésperas do novo julgamento, Farah está em uma situação favorável, segundo seu advogado Roberto Podval.

— Sua pena máxima não pode ser superior à anterior e ele já passou quatro anos na cadeia.

A defesa conseguiu anular o primeiro júri alegando que o corpo de jurados ignorou o laudo que atestava que o acusado não tinha condições, no momento do assassinato, de compreender o que fez. A tese da defesa é que Farah não é clinicamente louco, mas no momento de atacar a vítima estava fora de si e não compreendia totalmente o caráter criminoso da sua conduta.

Os advogados do réu dizem que deixaram os detalhes da argumentação para serem apresentados aos jurados, mas é bastante provável que essa linha de raciocínio seja mantida.

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.