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Testemunha protegida é a quarta a depor no julgamento do massacre do Carandiru

Sigilo da identidade marca depoimento na tarde desta terça-feira

São Paulo|Thiago de Araújo, do R7

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Mais uma testemunha protegida reiniciou os trabalhos no segundo dia de julgamento do massacre do Carandiru, na tarde desta terça-feira (30), no Fórum Criminal da Barra Funda. Ela é a segunda pessoa não identificada, por questões de segurança, a depor sob anonimato no plenário. A imprensa não tem acesso a outras informações, como ocorreu mais cedo, quando a primeira testemunha protegida depôs.

A quarta testemunha do dia é uma das seis arroladas pela defesa dos 26 policiais militares acusados pela morte de 73 detentos no segundo andar (terceiro pavimento) da Casa de Detenção, no dia 2 de outubro de 1992. Antes dela, estiveram ainda no plenário para prestar depoimento o ex-secretário de Segurança, Pedro Franco de Campos, e o ex-governador Luiz Antônio Fleury Filho.


Após o depoimento desta testemunha protegida, serão exibidos os vídeos dos depoimentos prestados no primeiro julgamento do massacre do Carandiru, em abril deste ano, dos desembargadores Ivo de Almeida e Luis Antônio San Juan França. Depois disso, os trabalhos do dia devem ser encerrados pelo juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo, da 2ª Vara do Júri.

A expectativa é que os 26 réus possam ser ouvidos durante a quarta-feira (31), abrindo espaço para os debates entre acusação e defesa, leitura de partes do processo e exibição de vídeos pertinentes entre quinta (1) e sexta-feira (2), com o pronunciamento do resultado previsto para a madrugada de sábado (3).


Relembre o caso

O massacre do Carandiru começou após uma discussão entre dois presos dar início a uma rebelião no Pavilhão 9. Com a confusão, a Tropa de Choque da Polícia Militar, comandada pelo coronel Ubiratan Guimarães, foi chamada para conter a revolta.


Ao todo, 286 policiais militares entraram no complexo penitenciário do Carandiru para conter a rebelião em 1992, desses, 84 foram acusados de homicídio.

Após Carandiru, massacre continua atrás dos muros das prisões, diz Pastoral Carcerária. Em abril de 2013, 26 policiais militares foram levados ao banco dos réus pela morte de 15 detentos no segundo pavimento do Pavilhão 9 no massacre do Carandiru. Após sete dias de julgamento, a maioria foi condenada por homicídio qualificado — com uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. Naquela ocasião, seis homens e uma mulher formaram o Conselho de Sentença.


Dos 26 policiais, 23 foram condenados a 156 anos de prisão, inicialmente, em regime fechado. Os réus receberam a pena mínima de 12 anos por cada uma das mortes dos 13 detentos. Os condenados poderão recorrer em liberdade. Outros três PMs foram absolvidos pelo júri, que acatou o pedido feito pela acusação.

Antes deles, Ubiratan Guimarães chegou a ser condenado a 632 anos de prisão, porém, um recurso absolveu o réu e ele não chegou a passar um dia na cadeia. Em setembro de 2006, Guimarães foi encontrado morto com um tiro na barriga em seu apartamento nos Jardins. A ex-namorada dele, a advogada Carla Cepollina, foi a julgamento em novembro do ano passado pelo crime e absolvida.

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