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Após perder memória e movimentos aos 32 anos, mulher conta como deu a volta por cima

No Dia Internacional da Mulher, Adriana Fóz, 46 anos, só tem motivos para comemorar

Saúde|Fabiana Grillo, do R7

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Adriana Fóz superou o AVC e relata sua experiência em livro
Adriana Fóz superou o AVC e relata sua experiência em livro

No Dia Internacional da Mulher, celebrado neste sábado (8), a educadora e neuropsicóloga Adriana Fóz, 46 anos, só tem motivos para comemorar. Após sofrer um AVC hemorrágico (acidente vascular cerebral) aos 32 anos, ela reuniu forças para sobreviver e dar a volta por cima.

Na entrevista ao R7, Adriana conta todas as dificuldades que enfrentou durante o tratamento. De acordo dados do Ministério da Saúde, o AVC é a doença que mais mata e deixa sequelas no Brasil.


R7 — Você recebeu o diagnóstico de AVC aos 32 anos, ou seja, muito jovem. Qual foi a causa do derrame?

Adriana Fóz — Além de jovem, eu era esportista e também não tinha nenhum fator de risco clássico, como obesidade, pressão alta, diabetes e tabagismo. Hoje, sei que meu AVC foi causado porque eu era uma pessoa extremamente estressada, autoexigente, perfeccionista e rígida. Somos resultado de fatores biogenéticos, hereditários e ambientais e, este último, contribuiu para desencadear a doença.


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R7 — Você teve algum sintoma ou foi “pega” de surpresa?


Adriana Fóz — Não tive nenhum dos sintomas clássicos de AVC, como fala enrolada ou parte do corpo anestesiada. Fui parar no hospital porque estava com confusão mental, esquecimento, alteração motora, vômito e longe do trabalho há dois dias, coisa que nunca havia acontecido antes. Resumindo, estava muito esquisita!

R7 — E como foi receber a notícia de que havia sido vítima de um AVC?


Adriana Fóz — Ninguém desconfiou de que era AVC. Só soube do diagnóstico na mesa de ressonância porque a médica me contou. Lembro que falei para ela: “Fica tranquila que vou sobreviver, não sei como, mas vou”. Este tipo de pensamento é muito importante para o tratamento.

R7 — Você teve sequelas por causa do AVC?

Adriana Fóz — O AVC atingiu o lado esquerdo do meu cérebro, então fiquei com o lado direito (mão, perna, olho) todo paralisado. Além de ficar com a fala desorganizada, não reconhecia meu marido e nem sabia para o quê servia uma escova de dente. Esqueci como andar e também a ler e escrever.

R7 — Você pensou que poderia morrer?

Adriana Fóz — Pensei que poderia morrer e, após sair do hospital e sem reconhecer nada, até queria que isso acontecesse. É angustiante quando você volta para casa e se dá conta das perdas.

R7 — Qual foi o momento mais difícil do tratamento?

Adriana Fóz — O mais difícil é quando você desiste de tudo e não quer mais viver. Nesta hora, o apoio da família é fundamental. Costumo dizer que somos responsáveis por 51% do tratamento, mas 49% ficam nas mãos das pessoas que nos amam.

R7 — Você pensou que poderia sofrer as consequências para o resto da vida?

Adriana Fóz — Com certeza este era um dos meus medos. Tinha dias que a minha meta era ficar com o remédio dentro da barriga. Olha que loucura! Além disso, precisei reaprender tudo. Era como se eu fosse um bebê. Quando pensava nisso é que me dava angústia e depressão.

R7 — Como foi enfrentar o tratamento? Quanto tempo durou a recuperação?

Adriana Fóz — O tratamento é longo e exige equipe multidisciplinar. Além de medicação, precisei passar por fisioterapia, fonoaudiologia e neuropsicologia. Minha recuperação demorou cerca de cinco anos, mas ainda faço fisioterapia para não regredir.

R7 — Por que resolveu escrever o livro A Cura do Cérebro?

Adriana Fóz — Além de ser da área, percebi que há pouca informação para leigos sobre o assunto. Então, resolvi usar a minha experiência para mostrar estratégias de superação e conhecimento sobre o cérebro. Lancei a primeira edição em dezembro de 2012 e em menos de um ano vendi 4.000 cópias. Agora, já estou na segunda edição do livro.

R7 — O que mudou na sua vida após o AVC? O que você aprendeu?

Adriana Fóz — Me sinto uma pessoa muito melhor, mais consciente, paciente, com força de vontade e motivação. Acho que o grande salto foi a amplitude de consciência. Nada é impossível se você cria estratégias para alcançar o que quer.

R7 — No Dia Internacional da Mulher, qual mensagem você deixaria para as mulheres que estão passando por um problema de saúde?

Adriana Fóz — Esperança, informação e ação é o caminho da superação. Para as mulheres que nunca passaram por um AVC, cada dia deve ser vivido como um presente. Se a gente cuidar bem dele, vamos afastar o risco de doença.

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