Chef espanhol pede que Brasil "deixe" a Espanha vencer a Copa de 2014
Saúde|Do R7
Alba Santandreu. São Paulo, 6 nov (EFE).- O chef espanhol Ferran Adrià pediu nesta quarta-feira que os brasileiros "deixem" a seleção de seu país vencer a Copa do Mundo de 2014 e reconheceu que tinha uma imagem equivocada de Neymar quando o atacante foi contratado pelo Barcelona. Adrià admitiu que quando o brasileiro chegou ao Barça pensou que era um jovem que gostava muito das festas, "um Ronaldinho Gaúcho, segunda parte", mas posteriormente se deu conta que era "um menino sério, um profissional, um exemplo para as crianças". "Na vida nunca julgue antes de conhecer", declarou, durante um encontro com centenas de estudantes de gastronomia realizado no SESC Consolação, de São Paulo. O prestigiado chef também se desfez em elogios para seu colega brasileiro, Alex Atala, à frente do D.O.M, considerado o segundo melhor restaurante da América Latina em 2013, de quem destacou sua "importância" para a "cultura brasileira". "Em 1988 ninguém sonhava que o Brasil se transformaria em uma referência mundial (em matéria de gastronomia), e isso aconteceu graças a Alex", disse Adrià. Apesar de as portas de seu famoso El Bulli terem fechado em 2011, o chef catalão trouxe até o Brasil a essência do restaurante que elevou a Espanha ao topo da culinária mundial, e fez isso por meio da apresentação da Bulli Foundation, o novo projeto gastronômico que iniciará a partir de 2015. "As pessoas não entenderam porque queríamos fechar o restaurante, diziam que estávamos arruinados (...) Mas a verdade é que fechamos o restaurante para não fechar El Bulli", explicou. O projeto procura eternizar o restaurante por meio de três pilares fundamentais: El Bulli 1846, onde se mostrará a história do restaurante; a Bullipedia, um arquivo no qual será ordenado o conhecimento da história da culinária, e a equipe criativa do El Bulli DNA, que divulgará todo seu trabalho na internet. Embora a cozinha do prestigiado restaurante tenha apagado seus fogões há mais de dois anos, Adrià segue cozinhando em nível "teórico" em uma tentativa de "proteger o espaço de El Bulli" e "contribuir para estudar, refletir e promover a criatividade". "Os cozinheiros não somos atores de Hollywood nem Neymar, não temos que ocupar espaços que ocupam os outros (...) Os que temos sorte, temos uma responsabilidade social. Tudo isto será doado, é nosso e da humanidade", comentou, a respeito do projeto. Sobre a importância da cozinha espanhola em nível mundial, o chef disse à Agência Efe que "somos a referência até que haja uma vanguarda nova", ao mesmo tempo em que acrescentou que o projeto contribuirá para que "a chama siga viva". Adriá está de visita no Brasil a convite da Telefônica, empresa da qual é embaixador, e durante sua estadia o chef pôs à disposição para downloads gratuitos na internet 31 de suas receitas que ele e a equipe de El Bulli preparavam antes de abrir as portas ao público. Em meados de outubro, São Paulo contou também com a presença do catalão Joan Roca, chef de El Celler de Can Roca, considerado o melhor restaurante do mundo segundo a revista britânica "Restaurant". EFE ass/rsd (foto) (vídeo)













