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Composição muscular pode indicar risco de dor crônica nas costas

Pesquisa com mais de 30 mil pessoas na Alemanha aponta relação entre infiltração de gordura na região dorso-lombar e o desenvolvimento de lombalgia persistente

Saúde|Por Thais Szegö, da Agência Einstein

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RESUMO DA NOTÍCIA

  • A dor lombar é a maior causa de incapacidade no mundo, com aumento esperado de casos até 2050.
  • Estudo na Alemanha analisou mais de 30 mil pessoas e relacionou gordura muscular à lombalgia crônica.
  • Maior gordura entre os músculos torácicos e lombares está associada a mais dor, enquanto mais massa muscular reduz esse risco.
  • Fatores como atividade física, dieta e genética influenciam a composição muscular e a dor lombar.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Lombalgia é a principal causa de incapacidade em todo o mundo, segundo a OMS Kindel Media/Pexels

A dor na região lombar das costas — também conhecida como lombalgia — é a principal causa de incapacidade em todo o mundo, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde). Em 2020, 619 milhões de pessoas sofriam com o quadro, segundo a OMS. Esse número representa um aumento de 60% em relação a 1990, e deve continuar crescendo. A previsão é de que os casos atinjam 843 milhões de indivíduos até 2050.

Em um estudo publicado em julho na revista científica The Lancet Regional Health - Europe, pesquisadores da Alemanha buscaram identificar possíveis fatores de risco modificáveis para o problema. Por isso, decidiram olhar para o elo entre a composição muscular corporal e esse tipo de dor.

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A análise, que envolveu mais de 30 mil participantes com idades entre 19 e 74 anos, utilizou ressonância magnética de corpo inteiro com apoio de inteligência artificial para mapear a composição muscular. Os cientistas levaram em conta também fatores que influenciam na composição corporal, como idade, sexo, prática de atividade física e a presença de comorbidades, osteoporose e colesterol alto.

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Ao final da investigação, concluíram que maiores níveis de gordura entre os músculos da região torácica e da lombar estão associados a uma maior probabilidade de dor lombar crônica. Por outro lado, quem conta com mais massa muscular nessa parte do corpo tem menor tendência a sofrer com o quadro.

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Para o ortopedista Fernando Jorge, membro da ASRM (Sociedade Americana de Medicina Regenerativa) e do Conselho Americano de Medicina Regenerativa, o trabalho traz uma boa perspectiva para o cuidado dessa dor incapacitante. “Ele sugere fortemente que fatores de risco modificáveis, como a composição muscular, podem ser alvos para prevenção e tratamento”, afirma.

Mas a pesquisa não se debruçou sobre o efeito da perda de peso na proporção de gordura intermuscular, por exemplo, e outras análises seriam necessárias para entender o que leva a essa condição.

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“Alguns fatores importantes no que tange à dor lombar crônica precisariam ser incluídos nas próximas investigações, como fatores psicológicos, nutricionais e ocupacionais”, propõe o ortopedista Luciano Miller, do Einstein Hospital Israelita. “Mas, ainda assim, trata-se de um estudo de suma importância no entendimento de fatores relacionados a uma doença tão prevalente.”

Segundo Miller, que também é professor livre docente da Faculdade de Medicina do ABC, em São Paulo, a proporção de tecido adiposo nos músculos da região dorso-lombar é influenciada por fatores como sedentarismo, envelhecimento, dieta, obesidade, resistência insulínica, questões hormonais, inflamatórias, além da própria genética do indivíduo.

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Há evidência de que programas de reabilitação com treino de força, controle nutricional e emagrecimento podem ajudar a reduzir a gordura intermuscular. “No entanto, os efeitos são modestos e lentos, e dependem da intensidade, regularidade e individualização dos treinos”, alerta o médico do Einstein.

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