Estudante argentino desenha sapatos com vibração para guiar cegos
Saúde|Do R7
Mar Centenera. Buenos Aires, 8 nov (EFE). - Com um par de sapatos inteligentes que vibram quando aparece um objeto por perto, o estudante argentino Juan Manuel Bustamante pretende ajudar a guiar jovens cegos e substituir a clássica bengala que muitos deles rejeitam. O protótipo criado por ele, que concorrerá na próxima semana na Feira Nacional de Ciência da Argentina, detecta todo tipo de objeto dentro de um raio de 25 centímetros, explicou à Agência Efe o jovem inventor. Aluno do Colégio Industrial número 4 da cidade de Rio Gallegos, Bustamante trabalhou seis meses neste dispositivo, que projetou depois de uma conversa com uma amiga que começou a perder a visão durante a adolescência. "Ela me disse que há uma grande rejeição dos jovens cegos à bengala, porque a consideram algo que os estigmatiza", comentou. Após confirmar a opinião de sua amiga em visitas a colégios especiais e conversas com alunos e professores, o jovem inventor pensou em sapatos como alternativa por considerar "um objeto discreto e de uso cotidiano". "Os sapatos foram pensados para jovens cegos com idades entre 10 e 25 anos, que são os que mais se negam a utilizar a bengala", acrescentou. O dispositivo, que levou o nome de 'Duspavoni', é montado no calçado tradicional e possui três sensores ultrassônicos nas partes frontal, lateral e traseira. Os sensores enviam uma onda que, ao rebater contra um objeto, permite ao calçado determinar a distância à qual se encontra. "Quanto mais perto está o objeto, mais ele vibra. Se está de frente, vibra na ponta; se estiver ao lado, a sola; e se estiver atrás, o calcanhar", detalhou Bustamante, que contou que teve que reduzir o nível de vibração que pensou inicialmente porque foi considerado um incomôdo para os cegos que testaram o equipamento. O sistema projetado por ele detecta pessoas, animais e qualquer tipo de objeto, como árvores, grades, automóveis e muros. "O sapato é carregado através de um cabo USB conectado ao computador ou com um carregador de celular. A carga completa é conseguida em cinco horas e tem duração de três a cinco dias", explicou o jovem inventor. Segundo Bustamante, os sensores têm uma vida útil de, aproximadamente, 12 anos e a bateria de seis anos. O argentino trabalhou sozinho no dispositivo, embora tenha recebido ajuda de alguns amigos e de seu irmão, que estuda Eletrônica e deu ideias que lhe permitiram acelerar a construção do protótipo com o qual ganhou o primeiro prêmio de Santa Cruz, província de Rio Gallegos. O jovem recebeu várias ofertas para o financiamento da fabricação do 'Duspanovi', mas antes de optar por alguma, Bustamante espera ver o impacto que a invenção terá na Feira Nacional de Ciência, que acontecerá de 9 a 14 deste mês em de Buenos Aires. "O principal não é ganhar, mas chegar às pessoas que precisam. O projeto é para ajudar, não para eu ganhar o prêmio ou ficar milionário", revelou o estudante. Embora sejam os primeiros sapatos com sensores pensados para cegos da Argentina, em outros países, como o Reino Unido e a Índia, invenções similares já foram patenteadas, embora, por enquanto, nenhuma delas conseguiu desbancar a bengala, um desafio a mais para Bustamante. EFE mcg/cdr/rsd













