Férias sim, mas não ao mesmo tempo, pedem os chineses
Saúde|Do R7
Pequim, 4 nov (EFE).- Do 1,3 bilhão de chineses, nada menos que 80% são contra o atual sistema de férias oficiais do país, que concentra os dias de descanso da imensa maioria na mesma época do ano. Com o modelo, o que deveria ser um período de descanso e de viagens turísticas se traduz em aglomerações, transtornos e estresse. Uma pesquisa online elaborada pela Administração Nacional de Turismo indica que quatro de cada cinco cidadãos estão "insatisfeitos com a atual organização dos recessos oficiais" e gostaria de uma reorganização do calendário de férias; para muitos, os únicos dias de descanso sem medo de consequências trabalhistas. A pesquisa, que entrevistou mais de dois milhões de pessoas em quatro portais e sites dos principais veículos de imprensa oficiais chineses, foi feita depois da comemoração, recentemente, dos festejos pelo Dia Nacional chinês, conhecidos como "Semana Dourada". Nessa época, a maioria dos cidadãos recebe, por lei, sete dias de férias, um luxo para muitos que não têm férias pagas por suas empresas. A ideia, que surgiu há 14 anos, é permitir que os trabalhadores possam ter alguns dias livres com suas famílias e promover o turismo, um fenômeno desconhecido no país há até pouco tempo. O problema é que o fato de a maior parte dos trabalhadores tirar férias nos mesmos dias gera caos no país mais povoado do mundo, já que a infraestrutura turística não cresceu no mesmo ritmo do número de viajantes. As estradas lotam e os engarrafamentos chegam a dezenas de quilômetros, os pontos turísticos são invadidos por multidões e os preços vão às alturas nos destinos mais populares. Somente neste ano, a Administração de Turismo calcula que cerca de 700 milhões de pessoas tenham saído de suas cidades para fazer passeios turísticos. Para efeito de ilustração, Xangai, a cidade mais povoada da China, recebeu cerca de sete milhões de visitantes. A vizinha Hangzhou acolheu, em um só dia, 2 de outubro, um milhão de pessoas. No caso mais extremo, mais de quatro mil turistas ficaram sem mobilidade por mais de dez horas e precisaram caminhar vários quilômetros na escuridão para poder chegar aos ônibus que lhes tirariam do parque nacional de Jiuzhaigou, na província de Sichuan. Isso levou alguns a pedir que fosse substituído o sistema atual, que ainda transforma em dias úteis os fins de semana anteriores e posteriores aos recessos oficiais para recuperar as jornadas de trabalho perdidas. O professor da Universidade Tsinghua de Pequim, Cai Jiming, que dirige um grupo de estudo sobre lazer, declarou ao jornal "China Daily" que o sistema de férias oficiais "viola o direito legal do público a trabalhar apenas cinco dias por semana. A prática atual não oferece dias livres extras, apenas reúne os dias livres que já existem para tornar as férias mais longas". Outros opinam que a solução seria estabelecer um sistema que obrigasse as empresas a oferecer férias pagas a seus empregados, que poderiam usá-las quando preferissem, como no Ocidente. Segundo o professor Zhang Hui, de Gestão de Turismo da Universidade Jiaotong (Pequim), "é a falta de férias que obriga a população a viajar nos mesmos dias". No entanto, até mesmo quando as empresas oferecem a possibilidade de tirar outras folgas, não são remuneradas e os empregados temem ser renegados em promoções ou sofrer algum outro tipo de represália caso façam uso delas. Como Zhang declarou ao "China Daily", "com um sistema de férias anuais flexíveis e pagas, as pessoas poderiam organizar suas viagens sem a dor de cabeça de enfrentar multidões". EFE mv/tr/rsd














