Fim de epidemia de AIDS é meta difícil, diz Unaids
Saúde|Do R7
Fabio Agrana. Panamá, 19 set (EFE).- O fim da epidemia de Aids está na agenda dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) para depois de 2015, mas trata-se de uma meta difícil de alcançar apesar dos progressos alcançados em tratamentos com redução de mortes e infecções. A afirmação é do diretor adjunto do Programa Conjunto da ONU para o HIV/Aids (Unaids) e também subsecretário-geral das Nações Unidas, o brasileiro Luiz Loures, que participa de reunião no Panamá que analisa os avanços dos países latino-americanos na resposta à Aids. Para Loures foram alcançados progressos nos dois pontos contemplados no objetivo 6 dos ODM, que tratam da redução do número de mortes e a reversão ou estabilização da epidemia e o número de novas contaminações. Há conquistas, já que existem hoje dez milhões de pessoas em tratamento em nível mundial e há cinco anos "não havia nem a metade, mas o objetivo fixado para 2015 é de 15 milhões de doentes tratados". O maior avanço foi a redução do número de mortes, meio milhão a menos em 2012 do que em 2005, e o mesmo aconteceu com as contaminações, que entre 2001 e 2011 caíram 700 mil. Loures, que entrou na Unaids em 1996 e há sete anos é diretor-adjunto, considera ter havido um avanço significativo na cobertura dos grupos mais suscetíveis à contaminação, como o de homens homossexuais. Estes grupos têm mais dificuldade para ter acesso aos recursos da saúde e sofrem discriminação, apontou. Segundo o funcionário da ONU, este foi um "marco fundamental" na luta contra a Aids e foi adotado por todos os países, "principalmente na América Latina em comparação ao resto do mundo". "Temos hoje 10 milhões de pessoas em tratamento e uma queda nas infecções porque houve também um progresso na inserção destes grupos (vulneráveis) na sociedade", afirmou. Mas segundo ele "há muito que fazer, como a inclusão desses grupos, fundamental para que se possa avançar para o fim da epidemia". Incluindo a América Latina no mapa global, a região é a que "mais avançou na questão do tratamento e menos na de prevenção". Em 2011, na América Latina, 83 mil pessoas contraíram o HIV, redução de quase 11% comparado aos 93 de 2001; perto de 1,4 milhão viviam com o vírus frente a 1,2 milhão em 2001. Já as mortes por causas relacionadas à AIDS caíram 10% em apenas seis anos, entre 2005 e 2011, foram de 60 mil a 54 mil, segundo dados da Unaids. Loures explicou que as epidemias nos países da América Latina estão concentradas nos grupos mais vulneráveis e há aí "uma dificuldade em avançar nas políticas de prevenção, um desafio para o qual não estamos prontos na América Latina". "Parece que vamos ver uma epidemia voltada aos mais vulneráveis, homossexuais, usuários de drogas injetáveis, presidiários e migrantes principalmente. E para as meninas da África Subsaaariana, mais expostas à contaminação do que os meninos", destacou. O alerta vai para os jovens de hoje, que se preocupam menos com prevenção que as gerações passadas. "A perspectiva pessoal que tenho da epidemia, de seu poder de destruição, de sofrimento, é muito diferente da perspectiva de um jovem de 15 anos, e aí reside um desafio enorme", manifestou. É preciso dar atenção a essa mudança de percepção de gravidade, disse Loures, porque existe o risco de a epidemia da Aids, com todos os avanços alcançados, voltar a subir. O diretor adjunto da Unaids foi além ao cravar que o panorama é preocupante "porque as estimativas apontam que em 2020 haverá um número próximo de 30 milhões de pessoas que vão precisar de tratamento, o dobro do que se fala hoje". "Isto é um indicativo que a epidemia continuará sendo um desafio e há muito a fazer", o que deixa a meta de fim da epidemia "parte da agenda pós 2015". EFE fa/cd













