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Histórias de superação: pequenos pacientes com câncer lutam pela sobrevivência

Natan, Bárbara e Kauã se espelham em super-heróis para enfrentar a doença

Saúde|Do R7*

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Natan foi diagnosticado com leucemia aos cinco anos de idade
Natan foi diagnosticado com leucemia aos cinco anos de idade Daia Oliver

Enquanto desenha, Natan Henrique de Souza Roseno conversa e interage com as pessoas ao seu redor. Apesar de adorar números e cálculos, o menino de sete anos, que mora em Osasco, São Paulo, sonha em ser policial ou bombeiro. Mas, em primeiro lugar, seu maior desejo é encontrar um doador de medula óssea.

Natan foi diagnosticado com leucemia aos cinco anos e após oito meses de quimioterapia e duas semanas de radioterapia, se livrou da doença por quase um ano. No entanto, lamenta a mãe Vivian Karine Santos de Souza, de 27 anos, a leucemia voltou e agora o menino precisa fazer um transplante de medula óssea.


— Tentei engravidar para aumentar as chances de o Natan receber uma medula compatível, mas infelizmente não consegui. Estamos na fila de espera há dois meses.

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Para acompanhar o tratamento do filho, Vivian largou o emprego e dedica 24 horas do seu dia ao menino.

— Minha vida é o meu filho. Vivo por ele e quero vê-lo bem, por isso tenho que estar presente o tempo todo.


Antes de descobrir a leucemia, Natan sentia dores nas pernas, cansaço e fraqueza. Além disso, ficava frequentemente com a garganta inflamada e tinha manchas roxas nas costas. Com a confirmação do diagnóstico, a mãe conta, “seu maior medo era que os amigos dessem risada por causa da queda de cabelo”.

— No começo, ele não tirava o boné da cabeça. Mas, ao perceber que ninguém falava nada sobre o cabelo, ele parou de se importar com isso.


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A luta contra o câncer não é fácil em qualquer idade, mas quando se trata de crianças, o grande desafio é humanizar o tratamento. Segundo a oncologista infantil Cecília Lima da Costa, diretora do departamento de oncologia pediátrica do hospital AC Camargo Cancer Center, a chance de cura é alta, mas a recuperação pode ser longa e dolorosa.

— A meta do hospital é amenizar o tratamento sem causar um impacto muito negativo na criança.

Para alcançar esse objetivo, o A.C.Camargo Cancer Center oferece aulas de arte e sessão de contadores de histórias. O último, implantado em abril deste ano, foi o projeto Liga da Justiça. O hospital decorou a ala pediátrica com figuras de super-heróis para ajudar os pequenos pacientes a enfrentar o câncer.

— Os medicamentos da quimioterapia, que chamamos de superfórmula, são colocados em uma caixinha colorida que estampa os personagens da Liga da Justiça.

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O hospital também disponibiliza gibis que mostram os desafios da doença e a luta dos personagens contra o câncer. Segundo Cecília, essa é uma forma lúdica de a criança se projetar no super-herói e perceber que ela também é capaz de superar o problema.

— O mundo da fantasia ajuda o paciente a entender o significado do tratamento.

Assim que descobriu a novidade, o pequeno Natan escolheu o Super-Homem para estampar sua caixinha de medicação.

— Além do Super-Homem, também gosto muito do Ben 10.

Outras histórias de vida

Por mês, o hospital atende mais de 100 crianças com câncer. Além de Natan, a pequena Bárbara Britto Cruz, de seis anos, também aprovou o projeto Liga da Justiça e escolheu a Mulher Maravilha para estampar sua superfórmula da sobrevivência.

Há um ano, Bárbara foi diagnosticada com osteosarcoma — câncer ósseo que apareceu na extremidade do fêmur direito. Em dezembro do ano passado, ela e a mãe Julieta Oliveira Britto, de 30 anos, deixaram a Bahia para tratar a doença na capital paulista.

— Mudamos para São Paulo porque minha filha precisa passar três dias da semana no hospital.

Como só a quimioterapia não conseguiu eliminar o tumor, Bárbara precisou se submeter a uma cirurgia para amputar uma das pernas.

— Essa foi a parte mais difícil. No começo, ela achou que ia ter uma perna de metal temporariamente e depois teria o membro de volta. Aos poucos, fui explicando o que tinha acontecido e ela reagiu super bem, até melhor do que qualquer adulto. 

Outro exemplo de luta pela sobrevivência é o de Kauã Victor Rodrigues Ferreira, de oito anos. Em agosto de 2012, ele foi transferido de um hospital em Maceió, sua cidade natal, para o A.C Camargo, em São Paulo, quando descobriu que tinha leucemia mileoide.

No início, o menino se submeteu a seis meses de quimioterapia e 20 dias de radioterapia, que resultou na cura da doença. Agora, os novos exames apontaram a volta da leucemia em 10%.

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Para não sobrecarregar a mãe, a tia de Kauã, Nilcilene Rodrigues, de 37 anos, acompanha o tratamento do sobrinho.

— Somos quatro irmãs e vamos revezar as noites que passamos no hospital.

Nilcilene admite que Kauã está deprimido por conta da doença, mas acredita que a vinda dos super-heróis será uma maneira de animar o sobrinho.

— É mais uma força que ele vai ter para caminhar. Não só ele, mas toda a família.

* Camila Savioli, estagiária do R7

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