Idosa de 95 anos recebe alta de hospital psiquiátrico após 64 anos internada
Mulher foi levada ao local em 1952, em São Paulo, por 'transtornos psicológicos pós parto'
Saúde|Do R7*

Uma mulher de 95 anos deixou um hospital psiquiátrico nesta segunda-feira (30), em Sorocaba, após passar 64 anos internada.
Em 1952, M.F.C — a família não autorizou a divulgação de seu nome — deu entrada no Hospital Psiquiátrico do Juquery, em Franco da Rocha, na grande São Paulo, por “transtornos psicológicos pós parto”.
Ela foi transferida para o interior de São Paulo em 2006, durante uma iniciativa de redução de leitos do Juquery. Segundo a coordenadora de Saúde Mental de Sorocaba, Mirsa Elisabeth Dellosi, atualmente, a idosa não apresenta sinais de transtornos psiquiátricos e muito menos clínicos desde que chegou à Sorocaba.
— Ela fala; pouco, mas fala. Presta atenção em tudo que dizemos e responde, mesmo que monossilabicamente. Está lúcida, anda devagarinho e se alimenta muito bem.
Mirsa afirmou que acompanhou algumas visitas dos filhos da paciente durante o período em que ficou sob seus cuidados, mas que não eram frequentes.
— Quando um de seus filhos decidiu receber a mãe de volta, começamos a trabalhar para recuperar os laços familiares e rapidamente entramos em contato com a Saúde Mental de São Paulo, que vai se responsabilizar por essa transição daqui para a frente.
Hospital psiquiátrico pega fogo e pelo menos 23 pessoas morrem na Rússia
A coordenadora disse, ainda, que a senhora pareceu entusiasmada com a possibilidade de voltar para a casa.
— Ontem, após a alta, perguntei: “A senhora vai para a casa? ”. Ela não pestanejou: “Vai! ”.
Durante os 64 anos em que a idosa permaneceu enclausurada, acompanhou a alta de diversos pacientes com os quais convivia. Segundo Mirsa, isso pode tê-la influenciado, uma vez que se lembrava do quão alegres ficavam aquelas pessoas na hora de voltar para casa.

— Ela ficou muito contente. Percebeu que, finalmente, tinha chegado a sua vez.
A psicóloga afirmou que o processo de transição já está ocorrendo há alguns anos em parceria com o Caps (Centro de Atenção Psicossocial) de São Paulo, para que as medidas de ressocialização pudessem ser tomadas.
— Por isso, acho que ela não vai ter problemas para retomar a vida social. Na rua onde vai morar, vivem também amigas de infância da idosa e seus dois filhos. Além de tudo, nenhum valor paga o preço da liberdade.
Para Mirsa, o problema do enclausuramento não é clínico, mas social.
— É uma dívida social que foi imposta a essa senhora desde a hora em que ela entrou. Não houve direitos civis e, menos ainda, direitos humanos.
Contudo, a especialista afirma que a equipe do hospital psiquiátrico da cidade está muito feliz pela saída da idosa.
— Foi um motivo de alegria.
*Colaborou:Talyta Vespa, estagiária do R7














