Morte de preso doente provoca aumento da tensão entre Israel e Palestina
Saúde|Do R7
Ana Cárdenes Jerusalém, 6 abr (EFE).- A morte de um palestino doente nesta semana, que estava preso em Israel, e os distúrbios seguintes, no qual morreram dois palestinos por conta de disparos de soldados israelenses, demonstram a sensibilidade que os presos geram em uma sociedade que os considera a linha de resistência frente à ocupação. Maysara Abu Hamdiye faleceu na terça-feira, 2 de abril, por conta de um câncer de esôfago que foi detectado meses antes, mas a Autoridade Nacional Palestina (ANP), sua família e a sociedade palestina em geral responsabilizou o Serviço de Prisões de Israel, acusando de ter negado o tratamento adequado para sua doença. A resposta nas ruas foi imediata: na própria terça-feira, foi iniciada uma onda de protestos, na qual centenas de jovens atacaram com pedras, aros das rodas em chamas e coquetéis molotov vários postos de controle militares israelenses em território ocupado. Em uma desses protestos morreram Naji Bilbesi e Amre Nasar, de 17 e 18 anos, respectivamente, por disparos de soldados israelenses quando, segundo a versão militar, lançaram bombas contra o posto próximo de Tulkarem. O Exército investiga se os soldados abriram fogo em cumprimento das normas militares ou se excederam o uso da força, como denunciou pouco depois o presidente palestino, Mahmoud Abbas. Segundo as primeiras informações, um dos falecidos, Bilbesi, morreu por um disparo nas costas, segundo informou o jornal israelense "Ha'aretz". O mal-estar e os distúrbios alcançaram também a Faixa de Gaza, desde onde milicianos palestinos lançaram na terça-feira três foguetes contra território israelense, que não causaram vítimas e dois dos quais caíram dentro do enclave palestino. No dia seguinte, as milícias palestinas lançaram outros dois projéteis, que impactaram em espaços abertos perto da cidade israelense de Sderot, sem causar danos, e o Exército bombardeou diversos alvos próximos a Beit Lahia, no norte do território. Trata-se do primeiro enfrentamento deste calibre desde que o Hamas e Israel chegaram a um acordo, com mediação egípcia, que pôs fim à operação militar israelense contra Gaza, Pilar Defensivo, de novembro, na qual morreram 177 palestinos e seis israelenses. Na quarta-feira, cerca de 4.600 presos palestinos em cadeias israelenses anunciaram que protagonizariam uma greve de fome em protesto pela morte de Hamdiye e devolveram suas refeições, segundo confirmaram fontes palestinas e do Serviço de Prisões. Os ânimos se aqueceram ainda mais na quinta-feira, dia no qual foram realizados, em Hebron e Tulkarem, os enterros dos dois jovens e de Hamdiye, de 64 anos e que cumpria desde 2002 uma pena de prisão perpétua por seu papel em um atentado frustrado em Jerusalém. Pouco antes de sua morte, o recluso tinha se queixado para seu advogado de apenas receber analgésicos para tratar seu câncer e de não contar com atendimento médico dentro da prisão. Outra das queixas é que apesar de estar em situação terminal, as autoridades penitenciárias continuavam mantendo ele na prisão, ao invés de interná-lo no hospital. Além disso, também não permitiram que Hamdiye visse familiares que não fossem de primeiro grau. Tudo isso fez com que os palestinos considerassem sua morte "um crime" e uma "crueldade" por parte de Israel. O Governo israelense, no entanto, acusou as autoridades palestinas de utilizar uma morte por causas alheias a Israel para gerar uma escalada de violência na região. O jornalista Amos Harel apontava no jornal "Ha'aretz" que a indignação palestina sobre a morte de Hamdiye tem um objetivo estratégico: utilizar a oportunidade para pressionar Israel a colocar em liberdade os 123 palestinos presos desde antes da assinatura dos Acordos de Oslo, em 1993, um compromisso que o Governo israelense adquiriu em 1999 e que ainda não cumpriu. Na sexta-feira, dia sagrado muçulmano no qual costuma concentrar os protestos na saída dos fiéis da oração do meio -dia, transcorreu no entanto com mais calma do que a esperada. Israel reforçou a segurança em Jerusalém e só permitiu o acesso à Mesquita de al-Aqsa aos homens maiores de 50 anos e às mulheres, para evitar incidentes. Em diferentes pontos da Cisjordânia foram registrados distúrbios, mas menores do que o esperado. Os enfrentamentos mais virulentos foram em Jaljul (adjacente a Hebron, no sul da Cisjordânia), onde ao redor de 150 jovens atacaram um posto de controle militar israelense, indicou à Agência Efe uma porta-voz do Exército. Também houve incidentes nas localidades de Nabi Saleh, no norte da Cisjordânia, Kalandia, próximo de Ramala, e Bilín, um pequeno povoado no noroeste. Como destaca Harel, apesar da magnitude dos incidentes ser ainda bastante baixa, é importante levar em conta que sua frequência está aumentando consideravelmente. EFE aca/ff













