Mulher perde as trompas por gravidez anormal e faz vaquinha online para arrecadar R$ 20 mil e tentar ser mãe
Mulheres revelam dores de gravidez ectópica — gestação fora do útero
Saúde|Do R7*

O sonho de ser mãe da auxiliar administrativa Vera Barros, 31 anos, de Imperatriz, no Maranhão, foi interrompido por duas vezes. Ela sofreu com gestações ectópicas — gravidez fora do útero. A primeira aos 20 anos de idade e a segunda aos 29 anos. Mas ambas foram marcadas por dores absurdas.
— Na primeira vez, eu estava em casa à noite e, aos poucos, comecei a sentir dores na barriga, e foi aumentando muito rápido. Não conseguia nem respirar. Então, fui para o hospital. Fiz um exame de ultrassom e, então, precisei fazer uma cesariana para retirar o embrião que estava se desenvolvendo na trompa.
Vera conta que a saída do hospital foi tranquila e que saiu acreditando que poderia engravidar novamente sem nenhum problema.
—Eu sai só pensando na recuperação da cirurgia mesmo, a única diferença é que eu não estava com o meu filho. No hospital, fiquei junto com outras mulheres que tinham tido filhos e ficava triste por ver elas com os bebês do lado e eu não.
Gravidez ectópica: desconforto e dores podem ser sinais de gestação nas trompas
Anos mais tarde, Vera engravidou novamente em 2014. Porém, começou a sentir dores muitos fortes na barriga, como as da primeira gravidez e percebeu que poderia estar tendo ou gravidez fora do útero.
— Foi uma dor que eu reconheci, conforme ela foi ficando mais forte. O caminho inteiro da minha casa para o hospital, eu estava com um sentimento de frustração, queria entender o porquê aquilo estava acontecendo, não conseguia nem chorar por causa da dor. Eu me questionei, questionei a deus, o porque isso estava acontecendo comigo. Porque eu não poderia ser uma mulher normal. Fiquei muito abalada.
Investigação e a retirada das trompas
Após a duas gestações anormais, a auxiliar administrativa resolveu investigar se havia algo errado com seu corpo. Após realizar diversos exames, descobriu que estava com as duas trompas inflamadas e também com hidrossalpinge — acúmulo de líquidos nas trompas — e endometriose. Por causa do diagnóstico, Vera decidiu retirar as trompas, já que as chances de uma terceira gravidez ectópica eram grandes.
— Descobri que não poderia continuar com as trompas do jeito que elas estavam. Fiquei com sentimento de tristeza e frustração. Fiquei muito abalada e desacreditada. Parecia que engravidar era algo impossível. Acreditava que nunca mais poderia ser mãe. Senti muito medo de não poder ter uma família, de não consegui dar um filho para o meu marido, de não ser uma mulher completa.
Vaquinha on line e o sonho de ser mãe
Após retirar as duas trompas, Vera e o marido Jefferson de Melo Santos estão realizando uma vaquinha online para arrecadar R$ 20 mil que precisam para fazer o procedimento de fertilização in vitro. A ação começou em abril e até agora arrecadou apenas R$ 100.

— Hoje, a única coisa que me impede de realizar o sonho de ter um filho é a falta de dinheiro por ser um valor muito alto e que não pode ser parcelado. Além da vaquinha, eu e meu marido fazemos ações, estamos vendendo blusas e querendo vender material personalizado nas escolas.
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Apesar de estar planejando ainda o primeiro filho, Vera diz que sonha em ter pelo menos quatro filhos.
— Acho que a criança traz alegria para o ambiente. Hoje em dia, essa quantidade de filhos não é fácil, mas eu sempre sonhei em ter uma casa cheia de crianças.
Descoberta no início
A enfermeira Carolina Cruz, 30 anos, também passou pela mesma situação de Vera. Aos 18 anos, quando morou na Califórnia, nos Estados Unidos, para estudar descobriu que estava grávida.
— Fui para o hospital, porque estava com dores muito fortes na barriga e, lá, o médico me falou que eu estava tendo uma gravidez ectópica [nas trompas] e que se eu quisesse continuar a gestação corria risco de perder o útero e ainda morrer.

Carolina conta que como na Califórnia o aborto é legalizado e não havia nenhuma possibilidade de o bebê ir para o útero e se desenvolver, os médicos sugeriram o aborto.
— Eu era muito nova, minha família estava no Brasil, então, eu optei por fazer o aborto por medo. Eles me deram uma injeção que iria fazer a expulsão do feto. Depois disso, eu comecei a sangrar muito e os médicos me internaram para fazer a curetagem.
Por causa disso, Carolina voltou para o Brasil e passou por vários exames durante um ano para saber se poderia estava tudo bem com à saúde. Em 2009, a enfermeira engravidou de uma menina, que agora está com 7 anos.
— Sempre tive o sonho de ser mãe, tanto que, casei muito cedo, e com 22 anos, eu tive a minha filha.
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Apesar de a primeira gravidez ter sido indesejada, ela diz que “ficou muito mal” por ter que abortar.
— Fiquei muito triste e acabei desenvolvendo depressão, síndrome do pânico, e acabei voltando para o Brasil por causa disso. Mesmo o médico dizendo que não ia dar certo, você para e pensa que era uma vida. Foi uma decisão muito difícil.
*Raquel Gamba, do R7














