Mulher reconstrói mamilo com tatuagem após câncer e melhora autoestima: “Me escondia do meu marido”
Desenho feito por tatuador é alternativa para mulheres que sofreram com a doença
Saúde|Do R7*

Vencer a luta contra o câncer de mama é motivo de orgulho para muitas mulheres que são diagnosticadas com a doença. Porém, nas batalhas diárias, as pacientes têm que lidar impactos psicológicos e físicos, que podem deixar marcas para a vida inteira. A principal delas é a mastectomia, cirurgia de retirada total ou parcial das mamas. Foi assim com a aposentada Maria Elena Campos, 64 anos. Ela sofreu muito após retirar os seios há dez anos, mas, com ajuda de uma tatuagem nos mamilos recuperou sua autoestima.
— Eu vivi anos e anos preocupada com o que os outros estavam pensando de mim. Não foi intencional, mas até me afastei um pouco do meu marido. Eu me escondia dele porque não sabia o que ele estava pensando.
A aposentada de São Paulo descobriu a doença em abril de 2005. Meses depois, ela fez mastectomia em uma das mamas e realizou a reconstrução.
Porém, Maria Elena relembra que passou dez anos sem o mamilo, até resolver fazer uma tatuagem, em agosto de 2015, com tatuador Miro Dantas, que faz um projeto social para mulheres que sobreviveram ao câncer de mama.
— Com a tatuagem eu estou me sentindo muito bem, mais aberta. Recuperou totalmente a minha autoestima. Hoje, tenho prazer em me olhar no espelho. Achei que foi muito melhor do que fazer uma cirurgia para recolocar o mamilo. Você faz a tatuagem e vai para casa, sem os riscos de outra cirurgia.
Câncer de mama: tatuadores refazem mamilos de mulheres após retirada dos seios
Espelho era principal inimigo
Apesar de não ter precisado passar por um doloroso tratamento de quimioterapia, Maria Helena conta que o momento mais difícil em sua luta contra o câncer “foi o primeiro banho em casa, logo quando chegou do hospital”.
— Depois que fiz a reconstrução, quando cheguei em casa, meu marido e minha mãe me ajudaram no banho, mas nós não conseguíamos parar de chorar. Os primeiros dias foram muito difíceis. Eu tinha vergonha de me olhar no espelho para não lembrar que eu estava daquele jeito.
Mesmo dificuldades, a aposentada conta que a gravidez de sua filha serviu de incentivo para sua batalha.
— Quando recebi o diagnóstico do câncer, eu estava em um momento muito feliz, porque minha filha estava grávida e meu neto Vitor estava para nascer. A gravidez da minha filha foi muito boa para mim, porque serviu como um apoio para o que eu estava sentindo. Me ajudou a não me deixar depressiva. Eu escondi o diagnóstico até ela dar à luz. Não queria que ela se preocupasse comigo num momento como aquele. E felizmente hoje ele completou dez anos e eu pude estar do lado dele.
Coragem para enfrentar a doença é essencial
Assim como Maria Helena, a carioca Andressa Oliveira, de 38 anos, também recuperou autoestima com ajuda da tatuagem. Ela veio do Rio de Janeiro para encontrar com o Dantas, e foi a segunda mulher a participar do projeto.

— Cheguei ao Miro porque uma vez vi uma reportagem de um cara nos Estados Unidos, mas era muito caro. Perguntei para vários tatuadores aqui no Rio e eles não faziam tatuagem reparadora. Eu já tinha até desistido, mas quando vi uma matéria sobre ele, entrei em contato e ele me atendeu muito bem.
Andressa recebeu o diagnóstico em 2009, quando percebeu um nódulo no seio ao realizar autoexame. Ela conta que teve a sorte de perceber a diferença na mama logo no início, e, por isso, não precisou passar por tratamento com quimioterapia.
— Os médicos me parabenizaram por ter descoberto tão cedo, porque no meu caso foi providencial para salvar a minha vida e não ter consequências mais graves.
Ela conta que a tatuagem realmente mudou o jeito que ela mesma se enxergava.
— Quando eu me vi no espelho depois da tatuagem foi uma sensação de túnel do tempo. Parece que eu voltei e tudo aquilo que eu tinha passado não tinha existido. Eu me senti completa de novo. Me deixou muito mais segura, até mesmo para namorar.
Para Andressa, ter relações com outros homens sempre era um incômodo, porque ela ficava preocupada com a reação do parceiro.
— Eu sempre tive que explicar meu caso para alguém que eu estivesse me relacionando, e a tatuagem melhorou muito a minha situação.
A mulher diz que se orgulha muito da marca que tem no corpo e da tatuagem que fez no projeto social.
— É a marca da minha luta pela vida. Enquanto eu viver com isso, vou sentir orgulho. Quando você tem essa doença maldita, você tem que pensar no que realmente vale a pena pra você. E para mim, o principal é a vida. Procurei trabalhar a minha mente no sentido de olhar pra mim e falar “olha, o que você está vendo é ruim, mas é o preço por estar viva”.
O câncer marcou a vida de Andressa de muitas maneiras. E uma delas foi a reação da mãe com a doença e com a tatuagem. Ela conta que a mãe ficou muito receosa.
— Minha mãe tem 62 anos, e não é muito moderna, mas ela me acompanhou em tudo em relação à doença, e eu quis levá-la para o estúdio comigo. Foi então que eu percebi que a doença a afetou mais do que a mim. Quando o Miro chegou, ela o abraçou forte, foi um momento muito emocionante. Ela acompanhou toda a tatuagem. Quando acabou, ela não conseguia parar de chorar. Eu não tinha a noção de como ela tinha ficado machucada por causa do câncer.
Andressa ainda diz que a tatuagem foi um peso que saiu dos ombros de sua mãe.
— Ela estava sofrendo muito. A tatuagem não foi boa só para mim, mas para ela também. Ela me viu feliz. Acho que isso foi o que mais nos emocionou naquele momento.
Pra quem descobre a doença agora, é preciso ter coragem para enfrentar a doença, opina Andressa.
— Não pode se deixar abater. A sensação é de que não vamos conseguir respirar, mas você tem que ter coragem para lutar por você. Se você não tiver alegria, você não tem força pra levantar. Tem que pensar que muita gente já passou por isso. Se outras pessoas conseguiram, você tem que pensar que você também vai conseguir. É importante ter na cabeça que existe vida com qualidade depois do câncer.
Para as que já sobreviveram à doença, Andressa recomenda continuar lutando e não se abalar.
— Você já passou pelo pior. O medo da doença, o medo da cirurgia, o medo do tratamento invasivo, então, continuar tentando ficar bonita é a coisa mais fácil do mundo. Tem que correr atrás. Se tem fila de espera, dá para esperar. A tatuagem é uma ótima opção para melhorar a autoestima, como melhorou a minha.
*Colaborou: Brenno Souza, estagiário do R7
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