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Músico passa 7 anos em fila de espera para conseguir transplante de fígado: "Hoje voltei a ser quem era"

No Dia Nacional de Doação de Órgãos, brasileiro conta sua luta à espera de um órgão

Saúde|Bruno Lima, do R7, em Brasília

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Um acidente de carro em 2004 mudou para sempre a vida de Paulo Cavalcante. O músico, de 58 anos, contraiu hepatite C após uma transfusão de sangue e precisou de um transplante de fígado. 

— Eu jogava futebol, praticava artes marciais e vivia uma vida normal como qualquer jovem da minha época. Houve um acidente de automóvel, eu fui submetido a uma cirurgia, recebi uma doação de sangue e contrai o vírus da hepatite C. De lá pra cá eu sofri durante dez anos. Entrei na fila de transplante e de última hora, há mais ou menos quatro anos, eu recebi esse órgão.

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Cavalcante esperou na fila de doações por sete anos até encontrar um doador compatível. Para ele, o principal obstáculo para a retirada de órgãos após a morte encefálica é a aceitação da família do doador. 

— A família é o fator mais importante com relação à doação de órgãos. A família é que tem que ter uma consciência maior com reação à doação. Muitas vezes, uma pessoa é doadora e a família não sabe. Não toma conhecimento disso.

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De acordo com o Ministério da Saúde, 55,7% das famílias concordam em doar os órgãos no momento da morte dos parentes. Hoje, o músico leva uma vida normal. Ele defende maior debate sobre o tema e a divulgação de campanhas para estimular a doação. 

— As famílias dos doadores precisam se conscientizar que a velocidade entre o falecimento do doador até o transporte do órgão tem que ser muito rápido. Esse processo que, muitas vezes, é dificultado. As empresas aéreas também têm que se empenhar mais com relação a esse tipo de transporte dos órgãos.

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Dia Nacional de Doação de Órgãos: único doador pode salvar até 10 pessoas

No ano passado, o Ministério da Saúde e as cinco maiores empresas aéreas do País assinaram um acordo para fazer o transporte de órgãos e tecidos em todo o território nacional. De acordo com o ministério, a quantidade de voos que transportam órgãos, equipes e insumos aumentou 136%. O número de viagens aumentou de 2.568, em 2012, para 6.064, em 2013. No primeiro semestre deste ano, foram realizados 2.672 voos para transportar órgãos.

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Paulo faz parte do universo de 11.782 pessoas que fizeram algum tipo de transplante de 2010 até o primeiro semestre deste ano. Neste sábado (27), é comemorado o Dia Nacional da Doação de Órgãos e a quantidade de transplantes tem aumentado ao longo dos anos. Mas os números ainda precisam melhorar muito para que outras pessoas tenham a mesma oportunidade de Cavalcante. 

— A doação tem que ser uma coisa bem divulgada dentro da família. Hoje eu agradeço demais à família do meu doador. Hoje eu voltei a ser o que eu era. Hoje eu jogo futebol, praticou jiu jítsu e tenho um fígado novo. 

Doação de órgãos aumentou 90% em seis anos

O número de doadores efetivos de órgãos cresceu quase 90% em seis anos no Brasil, segundo dados divulgados nesta quarta-feira, 24, pelo Ministério da Saúde em evento de lançamento de uma campanha para incentivar a autorização da doação de órgãos de parentes que, em vida, manifestaram interesse de serem doadores. De acordo com o ministério, o número de doadores passou de 1.350 em 2008 para 2.562 em 2013, alta de 89,7%.

O Brasil está acima da Argentina (52,8%), Uruguai (52,6%) e Chile (51,1%) no número de autorização para a doação de órgãos. Por lei, no Brasil, o transplante só pode ser realizado com autorização da família do doador. Por isso, o objetivo da campanha é estimular o diálogo e aumentar a adesão das famílias à doação de órgãos

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