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O casamento se complica para os sauditas

Saúde|Do R7

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Suliman al Assad. Riad, 18 set (EFE).- O medo do celibato aumentou entre as mulheres com mais de 30 anos na Arábia Saudita, onde mais de 1,4 milhão delas continua sem poder se casar por causa do alto custo do dote, do desemprego e das tradições tribais. Naual, de 32 anos, nunca imaginou que ia ficar solteira por se preocupar mais em concluir o ensino universitário do que se casar. "É difícil que para uma jovem como eu peça a mão de alguém da mesma idade, porque a sociedade considera solteirona uma mulher que passa dos 30 anos", disse com tristeza à Agência Efe Naual. Isso faz com que a jovem se veja obrigada a se unir a um homem muito mais velho do que ela e casado com filhos. O Islã permite ao homem ter até quatro esposas se for igual e equitativo com todas elas. Segundo um estudo do Ministério do Planejamento de 2010, existem na Arábia Saudita 1,4 milhão de solteiras de mais de 30 anos e a expectativa é que esse número chegue em 2015 a quatro milhões. Não há uma idade mínima oficial para se casar, mas a cultura local considera que as meninas estão em idade de casar quando chegam à puberdade, o que pode acontecer em algumas regiões aos 13 ou 14 anos. Virar balzaquiana não é o único obstáculo para as sauditas, 9,1 milhões de mulheres que correspondem a 49% da população do país. Também influem as elevadas despesas com as bodas e o desemprego que afeta os jovens, além de muitos deles se recusarem a casar com mulheres que tenham trabalhos que estejam em contato com homens, como no caso das enfermeiras. Inclusive há jovens que, por não ter recursos para o dote e outras despesas do casamento, preferem se casar com cidadãs estrangeiras e poupar esse dinheiro. Esta situação obrigou as autoridades sauditas a endurecer os requisitos de casamento entre sauditas e estrangeiras em uma tentativa de resolver o problema que afeta as solteiras do país. O homem saudita que deseje casar com uma estrangeira deve contar com uma aprovação do Ministério do Interior, ser maior de 30 anos e não estar casado. Se a noiva for saudita, o dote que o namorado deve pagar pode chegar a 200.000 riales (cerca de US$ 53 mil), segundo estudos recentes. O membro do Conselho Consultivo saudita (uma espécie de Parlamento) Mohammed al Zalfa recomendou há alguns anos limitar o dote, proposta rejeitada com o argumento de que esse pagamento é um direito da mulher de acordo com a "sharia" ou a lei islâmica. Já os costumes e tradições tribais proíbem que os membros das grandes tribos se casem com pessoas que não pertencem a esses núcleos, e quem o faz é repudiado. O "mazun", funcionário oficial encarregado de fazer os casamentos, Abu Abdel Rahman, disse a Agência Efe que a divisão social é outra causa do celibato entre as mulheres, "já que reduz as oportunidades das jovens e as torna prisioneiras dos homens de sua tribo". Ele reforça que "esses costumes não têm nada a ver com a 'sharia', mas infringem o Islã, já que o profeta Maomé dizia: Se alguém se apresenta (como noivo) que satisfaça por sua religiosidade e conduta, aceitem o casamento". O funcionário se opõe a que se limite o custo do dote porque "é uma garantia para a mulher, seu futuro e seus bens", por isso prefere pedir que as associações de beneficência ajudem os jovens com os custos do casamento. Em junho de 2011, os habitantes da aldeia de Shaaf Balqran concordaram em fixar um dote que não superasse os 8 mil riales (US$ 2.100). Uma jovem identificada como Salua lamenta que na sua região o dote seja o que ela considera exagerado e chegue a US$ 40 mil, um "valor enorme em comparação com a renda das pessoas de classe média". Salua conta que suas três irmãs mais velhas tiveram sorte de se casar enquanto ela, de 29 anos, ainda espera "sua vez para que não perca sua chance de casamento". Segundo ela, as oportunidades de conhecer outros jovens são limitadas na Arábia Saudita. "A única forma (de ter um noivo) é que uma mulher te escolha para seu filho, ou para parentes ou conhecidos", lamentou Salua, para quem a sociedade saudita olha com pena para as solteironas. EFE sa/cd/ma

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