OMS: varíola do macaco requer esforços intensos de resposta e será reavaliada
Diretor-geral da organização afirmou que o quadro da doença tem mudado e, em breve, uma nova reunião será convocada para analisar a situação
Saúde|Da Agência Estado e EFE

Diretor-geral da OMS (Organização Mundial de Saúde), Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou nesta quarta-feira (29) que a varíola do macaco não deve ser minimizada, embora, em reunião recente, o Comitê de Emergência da entidade não tenha aconselhado que ela representa uma emergência de saúde pública de preocupação internacional. Nesse contexto, ele informou que será convocada "rapidamente" nova reunião desse comitê, para reavaliar o quadro.
Segundo Ghebreyesus, os especialistas do comitê ressaltaram que a natureza emergencial do evento de saúde em torno dessa doença "requer esforços de resposta intensos".
O diretor-geral também lembrou que o próprio comitê solicitou que uma nova reunião da entidade seja convocada em breve para analisar o quadro da varíola do macaco, que tem mudado.
Grupos de risco
A organização ainda disse que está preocupada que a varíola do macaco possa se espalhar para grupos de alto risco, após observar que há uma "transmissão sustentada do vírus".
"Isso pode indicar que o vírus está se instalando e pode passar para grupos de alto risco, como crianças, mulheres grávidas ou pessoas imunossuprimidas", disse o diretor-geral.
Ele revelou que começou a ver "que várias crianças foram infectadas".
A OMS disse que todos os menores de 17 anos se enquadram nessa categoria e que dos casos relatados - dois do Reino Unido e outros ainda a serem confirmados na Espanha e na França - nenhum foi grave.
“No entanto, é uma faixa etária que realmente nos preocupa, mesmo que sejam leves [os casos], por isso temos que fazer todo o possível para controlar esse surto através das medidas sanitárias existentes”, afirmou.
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As últimas notificações recebidas pela OMS elevaram para 3.413 casos de varíola do macaco em 50 países não endêmicos para esta doença, que está presente nas últimas décadas na África central e ocidental.
A entidade decidiu, no último final de semana, que o atual surto da doença não constitui atualmente uma emergência sanitária de alcance internacional, como é o caso da Covid-19, após receber uma recomendação neste sentido dos cientistas do seu Comitê de Emergência.
Essa recomendação, no entanto, não foi inicialmente unânime, pois três cientistas membros daquela instância consideraram que estavam reunidas as condições para declarar emergência.
Onze membros manifestaram opinião contrária e a recomendação foi finalmente adotada por consenso, embora os especialistas tenham pedido ao diretor da OMS que, assim que houver informações adicionais sobre esse surto, faça uma nova convocação para avaliar a situação.
Covid-19
A autoridade também falou sobre o quadro da Covid-19, considerando que a pandemia "melhorou, mas não está acabada".
A OMS voltou a pedir que ocorra um avanço na vacinação pelo mundo, sobretudo nos países mais pobres, com foco inicial nos grupos de risco, como os profissionais de saúde e os mais idosos.
A declaração foi dada durante entrevista coletiva.
É possível a reinfecção da doença? Por ser até então uma doença rara, ainda não é possível saber se há casos de reinfecção ou se as pessoas que já pegaram outros tipos de varíola estão imunes à doença. "Não se sabe se a doença pode ser pega mais de ...
É possível a reinfecção da doença? Por ser até então uma doença rara, ainda não é possível saber se há casos de reinfecção ou se as pessoas que já pegaram outros tipos de varíola estão imunes à doença. "Não se sabe se a doença pode ser pega mais de uma vez. O que se sabe é que a imunidade gerada pela doença ou pela vacinação é uma imunidade protetora e que dura um longo período de tempo. Até porque, se não fosse assim, a varíola não teria sido erradicada", ressalta Giliane Trindade







![Vai ser necessário vacinar toda a população?
Por ora, a OMS acredita que a vacinação pode ser localizada e indicada para pessoas próximas às infectadas, como está sendo feito no Reino Unido e nos Estados Unidos. Profissionais de saúde da linha de frente também podem ser beneficiados com o imunizante.
Existe uma vacina contra a varíola do macaco produzida pelo laboratório Bavarian Nordic, na Dinamarca. Além disso, a vacina usada anteriormente poderia ser empregada, mas precisaria passar por atualização. A questão é que não há produção em larga escala de nenhum imunizante.
A epidemiologista Andrea McCollum, do CDC, disse, em entrevista à revista Nature, acreditar que as terapias provavelmente não serão implantadas em grande escala para combater a varíola. Para conter a propagação do vírus, deve ser usado o método chamado vacinação em anel. Aplica-se o imunizante nos contatos próximos de pessoas que foram infectadas para cortar quaisquer rotas de transmissão. “Mesmo em áreas onde a varíola [do macaco] ocorre todos os dias, ainda é uma infecção relativamente rara”, afirmou a especialista](https://newr7-r7-prod.web.arc-cdn.net/resizer/v2/QKBWL7J2O5NRJP7OV4WHGB2PPA.jpg?auth=95a13bb0bf102b370ae62f0e354531eb43452a4647e955794466b31465338afc&width=771&height=514)













