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Quando você tem câncer de próstata avançado: como é viver com a doença

Novos tratamentos, exames mais precisos e terapias combinadas estão ampliando a sobrevida de homens

Saúde|Dr. Jamin Brahmbhatt, da CNN Internacional

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Novos tratamentos e exames mais precisos estão prolongando a vida de homens com câncer de próstata avançado.
  • O caso de Joe Biden trouxe atenção para os avanços no tratamento do câncer de próstata metastático.
  • As estratégias de tratamento agora incluem o uso precoce de terapias combinadas e personalização com base na biologia do tumor.
  • Apesar de avanços, o prognóstico varia individualmente, e o suporte de uma equipe multidisciplinar é essencial.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Tratamentos modernos podem controlar o câncer de próstata por anos Matheus Oliveira/Agência Saúde DF - arquivo

“Quanto tempo eu ainda tenho de vida?” Quando digo a um paciente que ele tem câncer de próstata, essa costuma ser a primeira pergunta que ele faz.

Quando se trata de um câncer de próstata em estágio inicial ou de baixa agressividade, posso oferecer uma forte tranquilização: sua expectativa de vida é boa — com tratamento, a taxa relativa de sobrevivência em cinco anos é superior a 99%. Em outras palavras, a maioria dos homens não morrerá em decorrência de um câncer de próstata de baixo grau.


No entanto, quando o câncer se espalha para além da próstata, atingindo os ossos e outros órgãos, a resposta se torna mais difícil. O tratamento do câncer de próstata avançado mudou drasticamente na última década. Novos medicamentos, exames de imagem mais precisos e o uso precoce de terapias combinadas estão ajudando os homens a viver mais.

Em um vídeo divulgado em 15 de julho, o ex-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, atualizou seu estado de saúde, informando que os tratamentos contra o câncer de próstata estão evoluindo bem. Em maio de 2025, Biden anunciou oficialmente que tinha uma forma agressiva da doença, que já havia se espalhado para os ossos. Desde então, segundo atualizações oficiais, ele continuou a terapia hormonal, concluiu um ciclo de radioterapia e manteve uma vida pública ativa.


O diagnóstico trouxe nova atenção para os exames de rastreamento e os tratamentos contra o câncer de próstata. Agora, mais de um ano depois, sua trajetória oferece uma oportunidade para analisar o que mudou no tratamento da doença avançada — e a esperança que essas mudanças oferecem aos homens que convivem com ela.

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Recentemente, atendi um paciente diagnosticado há três anos com câncer que já havia se espalhado para várias áreas dos ossos. Desde então, ele fez cruzeiros, viajou com a família e passou fins de semana cuidando dos netos.


Ele se cansa mais facilmente e já não consegue cuidar do jardim como antes. Mas continua vivo e considera cada dia uma bênção. Sua experiência, assim como o caso de Biden, mostra como é possível viver hoje com um câncer de próstata metastático.

Entendendo as taxas de sobrevivência

Muitos pacientes procuram na internet as taxas de sobrevivência em cinco anos, caso ainda não tenham perguntado ao médico. Mas qualquer número encontrado vem acompanhado de um grande alerta.


A Sociedade Americana do Câncer informa que a taxa relativa de sobrevivência em cinco anos é superior a 99% quando o câncer é detectado na próstata ou em regiões próximas. Esse índice cai para 38% quando a doença já atingiu partes distantes do corpo.

Mas esse número se baseia em grupos de homens tratados anos atrás. Ele não reflete totalmente o impacto dos tratamentos mais recentes nem leva em conta fatores individuais, como idade, estado geral de saúde e resposta ao tratamento.

As estatísticas descrevem grupos de pacientes, mas não conseguem prever o que acontecerá com uma pessoa específica. Por isso, a taxa de 38% não permite saber quanto tempo Biden — ou qualquer outro paciente — viverá. O prognóstico depende dos detalhes de cada caso e da resposta ao tratamento.

Tratamento mais agressivo desde o início

Um homem diagnosticado com câncer de próstata metastático há dez anos não receberia hoje o mesmo tratamento.

A estratégia atual é usar os melhores tratamentos logo no início, em vez de guardá-los para fases posteriores da doença.

Durante anos, os médicos começaram apenas com terapia hormonal — geralmente injeções que reduzem os níveis de testosterona — e reservavam outros tratamentos para quando o câncer deixasse de responder.

Hoje, essas injeções costumam ser combinadas desde o início com medicamentos mais modernos que bloqueiam os hormônios e/ou com quimioterapia. Essas combinações aumentaram a sobrevida dos pacientes e representam uma das maiores mudanças da última década.

O que o diagnóstico de Biden revelou

Há três detalhes sobre o câncer de Biden que ajudam médicos como eu a entender o grau de agressividade da doença e como tratá-la.

Segundo informações oficiais:

O câncer recebeu uma pontuação Gleason 9;

Havia metástase óssea;

O tumor foi classificado como sensível a hormônios.

A pontuação de Gleason é atribuída após um patologista analisar amostras da biópsia. Ela costuma variar de 6 a 10, e números mais altos indicam tumores mais agressivos. Um Gleason 9 está entre os níveis mais agressivos.

No entanto, essa pontuação sozinha não determina se o câncer se espalhou para fora da próstata.

Quando o câncer de próstata se dissemina, os ossos são o destino mais comum — especialmente coluna, pelve e costelas. Também pode atingir órgãos como pulmões e fígado. Quando alcança partes distantes do corpo, geralmente não é considerado curável, mas os tratamentos podem controlar a doença por anos.

O câncer também pode ser sensível ou resistente aos hormônios.

Como normalmente depende da testosterona para crescer, reduzir esse hormônio ou bloquear seus efeitos ajuda a controlar a doença. Quando é considerado sensível a hormônios, significa que ainda responde a esses tratamentos.

Com o tempo, porém, a maioria dos tumores metastáticos aprende a crescer mesmo com baixos níveis de testosterona, tornando-se resistente aos hormônios. Nessa fase, apenas reduzir a testosterona já não basta, exigindo terapias adicionais.

Saber se o câncer se espalhou

Hoje, o exame de imagem mais sensível para detectar metástases é o PET-CT com PSMA.

Ele utiliza um marcador radioativo que localiza uma proteína presente na superfície das células do câncer de próstata. As áreas afetadas aparecem como pontos brilhantes no exame, ajudando a identificar onde a doença se espalhou.

A Associação Americana de Urologia apoia o uso desse exame para determinar se o câncer de próstata de alto risco já se disseminou e para auxiliar na definição do estágio da doença.

A cintilografia óssea tradicional, usada há décadas, continua sendo uma alternativa, mas o PET-CT com PSMA vem substituindo progressivamente seu uso.

A localização e a extensão das áreas afetadas influenciam diretamente as decisões de tratamento.

Um único foco na coluna e um câncer que já atingiu o fígado são ambos classificados como estágio 4, mas representam doenças diferentes e podem ser tratados de maneiras distintas.

Os médicos também avaliam o volume de doença:

Baixo volume: poucas áreas comprometidas;

Alto volume: disseminação extensa ou presença em órgãos como fígado e pulmões.

Ambas as situações exigem tratamentos que atuem em todo o organismo. Para pacientes com baixo volume de doença, adicionar radioterapia na próstata pode aumentar a sobrevida.

Biden já concluiu um ciclo de radioterapia, mas sua equipe não informou qual região foi tratada nem se seu caso seria considerado de baixo ou alto volume.

Tratamentos mais personalizados

Além de iniciar terapias mais precocemente, os médicos podem adaptar o tratamento à biologia específica de cada tumor.

Hoje é possível analisar tanto o tumor quanto o DNA do próprio paciente em busca de mutações que orientem a escolha das terapias.

Cerca de 1 em cada 10 homens com câncer de próstata metastático possui uma mutação hereditária que afeta a capacidade do organismo de reparar o DNA. As mais conhecidas são as mutações dos genes BRCA1 e BRCA2, também associadas a alguns tipos de câncer de mama e ovário.

Essas alterações podem tornar os pacientes elegíveis para medicamentos direcionados chamados inibidores de PARP.

Outra inovação é a terapia radioligante. Se os exames mostrarem que as células cancerígenas expressam a proteína PSMA, os médicos podem ligar uma substância radioativa a uma molécula capaz de localizar essa proteína.

Administrado por via intravenosa, esse tratamento atinge células cancerígenas em todo o corpo. No ano passado, seu uso foi ampliado para mais pacientes cujo câncer já havia se tornado resistente aos hormônios.

Viver mais pode ter um preço

Todo tratamento pode provocar efeitos colaterais.

Com a terapia hormonal, um dos primeiros sintomas costuma ser as ondas de calor, semelhantes às enfrentadas por mulheres na menopausa.

Também é comum sentir fadiga. Como a testosterona ajuda a manter a massa muscular, sua redução pode diminuir força e energia. Caminhadas regulares e exercícios de resistência podem ajudar.

Um efeito colateral pouco discutido é a redução da libido.

No momento do diagnóstico, a maioria dos homens está focada em sobreviver, não em sua vida sexual. Mas, meses depois, essa questão frequentemente ganha importância. Vale a pena conversar sobre isso com a equipe médica e com o parceiro ou parceira.

O efeito que mais me preocupa é o enfraquecimento dos ossos.

A baixa testosterona reduz a densidade óssea, enquanto as metástases podem fragilizar ainda mais sua estrutura. O acompanhamento deve incluir atividade física, exames de densidade óssea e níveis adequados de cálcio e vitamina D.

Para pacientes com câncer resistente aos hormônios e metástases ósseas, medicamentos protetores dos ossos podem reduzir o risco de fraturas e outras complicações.

Dor nas costas nova ou agravada, especialmente acompanhada de fraqueza nas pernas, dormência ou dificuldade para controlar bexiga e intestino, pode indicar compressão da medula espinhal pelo câncer. Trata-se de uma emergência médica que requer atenção imediata.

O tratamento exige uma equipe

Idealmente, vários especialistas trabalham em conjunto.

O urologista costuma ser o ponto de partida. O oncologista clínico coordena os tratamentos sistêmicos, enquanto o radio-oncologista trata áreas específicas. O médico de atenção primária ajuda a proteger a saúde geral, incluindo coração e ossos.

A idade do paciente, outras doenças, capacidade de tolerar efeitos colaterais e objetivos pessoais influenciam o plano terapêutico.

Dois homens com resultados muito semelhantes podem receber — ou escolher — estratégias diferentes, de acordo com sua saúde e prioridades.

Também recomendo levar alguém de confiança às consultas importantes para oferecer apoio, fazer anotações e ajudar a lembrar das informações discutidas.

Mais tratamentos e exames trazem esperança

Para homens preocupados com câncer de próstata, vale conversar com o médico sobre os benefícios e riscos do exame de PSA.

Homens negros e pessoas com histórico familiar significativo devem iniciar essa conversa ainda na faixa dos 40 anos.

Novos sintomas urinários nem sempre indicam câncer, mas merecem atenção, assim como sangue na urina ou no sêmen, perda de peso inexplicada e dores persistentes nas costas ou nos ossos.

Para quem vive com câncer de próstata avançado, há motivos para ter esperança.

Hoje existem mais opções de tratamento e exames melhores do que havia uma década atrás. E um bom atendimento considera não apenas o que mostram os exames, mas também como o paciente se sente.

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