Ritos de circuncisão causaram 36 mortes nas últimas semanas na África do Sul
Saúde|Do R7
Johanesburgo, 23 mai (EFE).- O número de jovens que morreram nas últimas semanas na África do Sul em rituais tradicionais de circuncisão chegou a 36, informou nesta quinta-feira o jornal local "Times". Segundo a fonte, 30 dos jovens morreram na província de noroeste de Mpumalanga, anunciou o porta-voz do departamento provincial de saúde, Ronnie Masilela, enquanto a polícia informou de seis novas mortes na vizinha província de Limpopo. "Pelo que soubemos, o sangramento excessivo e a desidratação foram as causas da maioria das mortes", disse Masilela à agência de notícias sul-africana "Sapa". Estas circuncisões são parte de ritos tradicionais de passagem à idade adulta, que obrigam os adolescentes a passar várias semanas a céu aberto em áreas isoladas sem nenhum tipo de atendimento médico. As cerimônias acontecem nas chamadas "escolas de iniciação", muitas delas reconhecidas legalmente e frequentadas atualmente por 30 mil jovens apenas na província de Mpumalanga, segundo estimativas recolhidas hoje pelo canal público sul-africano "SABC". O presidente do país, Jacob Zuma, fez hoje perante a instituição que reúne os chefes tradicionais de toda África do Sul um pedido a que estes líderes colaborem com o governo e tratem as escolas de iniciação "fajutas" como "atividades criminosas". "Centenas de milhares de crianças neste país, milhões no mundo todo, são submetidos a ritos de circuncisão seguros a cada ano", acrescentou Zuma, que defendeu essa tradição e culpou "indivíduos incompetentes" pelas mortes. "O problema é que, se não fazemos bem este rito tradicional, estimulamos os que criticam e condenam inutilmente o que é um evento importante na vida de uma pessoa que está crescendo", explicou o presidente, firme partidário da tradição africana, que sugeriu que alguns responsáveis de praticar a circuncisão comparecem bêbados à cerimônia. Os alarmes sobre este tipo de práticas aumentaram na África do Sul no último dia 15 de maio, quando a polícia anunciou a morte em uma semana de pelo menos 20 jovens de idades compreendidas entre 15 e os 21 anos neste tipo de ritual. Dezenas de adolescentes morrem por ano na África do Sul em escolas de iniciação, pelas quais passam milhares de jovens anualmente. Apesar de essas cerimônias serem consideradas por muitos parte essencial da cultura africana, organizações de proteção da infância denunciam o tratamento "desumano" que os adolescentes frequentemente suportam para serem respeitados como adultos em suas comunidades. EFE mg/rsd













