Vítimas querem adiamento do processo sobre implantes mamários
Advogado de associação disse que faltam pessoas no "banco dos réus"
Saúde|Do R7
Uma das principais associações de vítimas do escândalo de implantes mamários defeituosos da empresa PIP manifestou nesta quinta-feira (4) o desejo de adiamento do processo, previsto para começar em Marselha na quinta-feira (17), criticando o procedimento e citando eventuais incertezas jurídicas.
Segundo Roland Mino, advogado do MDFPIP (Movimento de Defesa das Mulheres Portadoras de Implantes e Próteses), muitas áreas obscuras persistem no tema. Ele reivindica 1.500 membros.
— O tribunal está feliz de organizar este processo midiático, mas qual é a finalidade? As vítimas poderão ser indenizadas realmente. Em vista da maneira como foi organizado o procedimento, temo que este não seja o caso.
Ele disse ainda que "falta gente no banco dos réus", antes de citar o certificador alemão TUV, a agência francesa de segurança dos medicamentos (ANSM) e a empresa PIP que, lembrou, "ainda não foi liquidada".
Cinco diretores da PIP, incluindo o fundador Jean-Claude Mas, comparecerão durante um mês em Marselha por "engano".
O MDFPIP deseja integrar ao primeiro processo os elementos da instrução financeira.
Consultado pela AFP, outro advogado de vítimas, Philippe Courtois, que defende 2.300 membros da Associação de Mulheres Portadoras de Próteses PIP (PPP), afirmou que é contra qualquer pedido de adiamento do processo.
O escândalo PIP explodiu em março de 2010, quando foi anunciada a retirada das próteses do mercado francês e a falência judicial da empresa, que havia utilizado para os implantes um gel de silicone impróprio para uso médico em substituição do gel médico homologado, com o objetivo de reduzir custos.
Com os riscos de rupturas e de irritações das próteses, em dezembro de 2011 o governo francês recomendou às mulheres portadoras de PIP na França que as retirassem, atitude seguida por alguns governos estrangeiros.
As próteses eram fabricadas na França, mas 84% delas eram exportadas, muitas delas para a América Latina.
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