Brasileiros acreditam que Google, Facebook e Microsoft devem proteger seus dados contra a espionagem
Anistia Internacional revela que internautas depositam confiança em empresas de tecnologia
Tecnologia e Ciência|Do R7

Empresas como Google, Facebook e Microsoft têm papel decisivo na defesa da liberdade e privacidade na internet. Ao menos, é isso que acredita boa parte dos internautas brasileiros, segundo uma pesquisa divulgada pela Anistia Internacional nesta quarta-feira (18).
O levantamento aponta que os brasileiros são os mais taxativos na afirmação de que as empresas de tecnologia devem proteger as comunicações e evitar que os governos tenham acesso aos dados. Segundo a pesquisa, essa preocupação é demonstrada por 78% dos internautas brasileiros. África do Sul (71%) e Filipinas (70%) também demonstraram pensamento semelhante em relação a esta questão.
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Inédita, a pesquisa sobre privacidade e vigilância na internet também informa que os brasileiros têm medo de que celulares e internet sejam espionados pelo governo nacional e por governos estrangeiros também. O estudo foi conduzido pelo YouGov e tem base em entrevistas com 15 mil pessoas em 13 países diferentes, incluindo o Brasil.
Espionagem legal
Para a organização, a vigilância a um indivíduo só é aceitável mediante autorização judicial. Violar a privacidade de alguém é uma decisão que precisa ser discutida com profundidade e transparência, sob pena de colocar em risco as liberdades fundamentais.
O assessor de direitos humanos da Anistia Internacional, Maurício Santoro, a espionagem dos internautas revela autoritarismo e ameaça a liberdade dos cidadãos.
— A constante vigilância da internet e de celulares revela um modo autoritário e muitas vezes ameaçador da liberdade de pensamento. Viver sem privacidade pode significar a supressão das individualidades.

Marco civil
Ao que parece, os internautas confima sua proteção de dados mais às empresas de tecnologia do que as governos. Em 2014, foi aprovado no Brasil o Marco Civil, que estabelece princípios, garantias, direitos e deveres para internautas e empresas no mundo virtual. Um dos objetivos do projeto é justamente, evitar que as empresas colaborem com o vazamento de informações dos brasileiros.
O projeto foi sancionado pela presidente Dilma Rousseff após os escândalos da NSA, a agência de espionagem dos Estados Unidos. Os documentos divulgados pelo ex-analista da agência norte-americana Edward Snowden revelam que a própria Dilma foi monitorada pela CIA.
Na opinião de Pedro Ekman, coordenador do Intervozes, o Coletivo Brasil de Comunicação Social, o Marco Civil coloca o Brasil à frente dos outros países em relação a regulamentação da internet.
— A aprovação do projeto foi uma resposta ao caso Snowden, que trouxe à tona a invasão de privacidade praticada pela NSA. O Marco Civil protege não apenas a internet utilizada pelos próprios internautas, mas também a do País. Também não podemos nos esquecer da força da própria sociedade, que pressionou muito para que o projeto fosse aprovado.















