"O heroísmo do professor é apresentar outras realidades ao aluno", afirma pesquisador
Professor brasileiro usa Minecraft, cosplay e videogame para conquistar a sala de aula
Tecnologia e Ciência|Tiago Alcantara, do R7

Jogar videogame, fazer cosplay e criar partidas de RPG são atividades que fazem parte do cotidiano de muitos geeks pelo mundo. O pesquisador e professor Francisco Tupy resolveu mesclar todos esses elementos com um só objetivo: dar aulas memoráveis.
Recentemente, o professor foi premiado pela Microsoft como um dos professores especialistas em tecnologia mais inovadores em seu campo. Tupy usa tanto Minecraft quanto outros jogos para ir além de um mero entretenimento. Conta que busca utilizar a motivação que os games promovem para despertar interesse pela tecnologia, inovação e criatividade.
Os projetos renderam convites para a participação em simpósios e eventos relacionando games e educação. Segundo Tupy, utilizar uma linguagem familiar aos alunos faz toda a diferença no engajamento da sala.
— Por meio da tecnologia conseguimos dar um novo significado o que é aprendizado, dar um sentido para a utilização do jogo com base em provocações, brincadeiras.
Nos últimos anos, o professor comenta que vem desenvolvendo uma metodologia própria para lidar com os alunos de modo que eles aprendam a pensar e não "o que pensar". Desta maneira não se preocupa apenas em ensinar, mas em como situar os alunos no mundo.
Mestres high-tech
O professor aproveitou a rede de contatos formada em eventos pelo mundo para lançar um livro colaborativo gratuito com ajuda de outros especialistas. Em #MiExpert: Changing The reality of the word teaching with technology (Mudando a realidade do mundo ensinando com tecnologia, em tradução livre), Tupy documenta experiências em salas de aula localizadas em diversas partes do mundo e, principalmente, a utilização de tecnologia na educação.

Para o pesquisador, essa troca enriquece o aprendizado pois é importante que o aluno seja confrontado com diferentes realidades na sala de aula.
— Não adianta eu pensar na minha realidade e esquecer que existem outras cidades, com realidades culturais diferentes. Cada vez mais a gente está conectada e, em outros lugares do mundo, há problemas diferentes.
Professores contra a violência
Uma dessas realidades é vivida por docentes em escolas do Brasil e pelo mundo: a exposição da sala à violência precoce. Uma pesquisa global, divulgada em 2014, feita com mais de 100 mil professores e diretores de escola do segundo ciclo do ensino fundamental e do ensino médio (alunos de 11 a 16 anos) põe Brasil no topo de um ranking de violência em escolas.
Encontrar a língua do jovem e mostrar para os alunos que a violência nunca é uma alternativa é um desafio, comenta o professor.
— Tudo na vida é uma questão de escolha. O professor ensina pelo exemplo, ele está se aprimorando para dar uma aula. O heroísmo do mestre é esse, mostrar que há uma realidade diferente ao aluno, buscar se atualizar e trazer a sala de aula para esse contexto.
Por outro lado, o professor conta que colegas de profissão europeus estão se deparando com dificuldades antes pouco vividas, como a alfabetização de crianças refugiadas. Segundo o pesquisador, o contato com outros professores também é relevante para a troca de informações sobre como desenvolver aulas baseadas em jogos. Utilizar os jogos pode ser uma forma de quebrar barreiras, para o pesquisador.
— Podemos usar o videogame, jogos, mesmo que a gente não tenha um jogo para cada aluno. Às vezes uma escola não tem todos os equipamentos, mas consegue criar um ambiente e isso vira um acontecimento. Uma ressalva: a proposta desse tipo de aula precisa ficar clara, desenvolver uma metáfora, se comunicar realmente com a sala.















