Alta dos juros barra crescimento do País e prejudica famílias endividadas
Analistas afirmam que reduzir gastos públicos seria mais efetivo para combater inflação
Economia|Luiz Betti, do R7

O aumento de 0,5 ponto percentual na Selic, que passou de 8,5% para 9% nesta quarta-feira (28), pode frear o crescimento da economia e prejudicar os brasileiros que, antes estimulados a consumir, agora amargam dívidas, afirmam os especialistas ouvidos pelo R7.
Com os juros mais altos, o governo busca desestimular o comércio para frear seus preços e, com isso, combater a inflação, a qual atingiu em julho 6,27% nos últimos 12 meses e foi considerada uma "maravilha" pela presidente Dilma Rousseff, embora longe da meta oficial de 4,5%.
Porém, o professor do departamento de economia da UNB (Universidade de Brasília), Vander Mendes Lucas, acredita que reduzir o gasto público do governo seria mais eficiente para o controle da inflação.
— Subir a taxa de juros só aumenta ainda mais os gastos do governo, que é o maior devedor do Brasil. O grande vilão da inflação são os gastos públicos, e eles vão crescer com o aumento da Selic.
Já para o professor de economia do IBMEC (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais) e da Simplific Pavarini Investimentos, Alexandre Espírito Santo, o aumento da taxa deve afetar sobretudo os consumidores, que já estão mostrando maior inadimplência.
— Todas as taxas de juros vão crescer: juros do cheque especial, do cartão de crédito... Muitas famílias foram estimuladas a consumir e agora estão se endividando.
Alexandre aponta que a taxa de juros ainda deve crescer até o fim do ano, mas concorda que essa não é a melhor medida para conter a inflação.
— Há alternativas, como controlar o superávit primário, ou seja, as contas públicas, de uma forma mais eficiente; mas parece que o governo não está disposto a isso.
Dólar
Os analistas ouvidos pelo R7 divergiram quanto aos impactos que a alta dos juros podem causar na moeda norte-americana.
O professor da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Ricardo Teixeira, explica que no mundo inteiro há uma valorização do dólar por causa da recuperação da economia norte-americana e do retorno do capital investido em países emergentes aos EUA.
Segundo ele, o aumento da Selic é “necessário” para desestimular a saída de investidores do País, o que tem contribuído para a valorização do dólar.
— Ao aumentar a taxa de juros, o governo consegue segurar alguns investimentos que estão no Brasil. Com menos dólares saindo, é possível segurar o câmbio.
Por outro lado, o economista da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), Miguel de Oliveira, afirma que a queda do crescimento pode reduzir a vinda de investidores e, assim, aumentar a cotação do dólar.
— Numa situação normal, os juros altos atraem mais dólares e provocam a queda da cotação da moeda. Porém, nesse momento o dólar está sendo influenciado por outros fatores, como o baixo crescimento.
Miguel também comenta que a retração da economia pode provocar uma maior inadimplência e deixar o consumidor receoso em se endividar.
— O governo está entre a cruz e a espada: se não subir os juros, a inflação sobe; se subir os juros; o crescimento do País cai.












