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Com Copa e seca, setor de água mineral dobra crescimento e fatura bilhões

No entorno dos estádios, segmento deve comercializar cerca de 800 milhões de litros

Economia|Vanessa Beltrão, do R7

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Setor de água mineral espera que faturamento seja de R$ 2,2 bilhões em 2014
Setor de água mineral espera que faturamento seja de R$ 2,2 bilhões em 2014

Quem decidiu apostar no ramo de água mineral no Brasil pode dizer que encontrou a fonte da riqueza. O setor cresce mais de 10% há cinco anos, com faturamento de R$ 2 bilhões em 2013. E, neste ano, com a Copa do Mundo e a escassez de chuvas, o avanço deve chegar a 30%, mais que o dobro do registrado no ano passado, de 14%.

Segundo o presidente da Abinam (Associação Brasileira da Indústria das Águas Minerais), Carlos Alberto Lancia, por causa do Mundial de futebol, que acontece de 12 de junho a 13 de julho, a previsão inicial era um aumento na produção em torno de 20%. Mas a expectativa agora é ainda maior.


— Em função da escassez de água que ocorreu em alguns Estados, projetamos crescer 30%.

Dados da Abinam mostram que, quando ocorrem períodos de estiagem, que são cíclicos, a cada dez consumidores que trocam a água "torneral" pela mineral, seis permanecem como clientes fiéis do produto.


Porém, mesmo com a seca ajudando nas vendas, Lancia é categórico ao afirmar que o mais importante para esse crescimento é a mudança nos hábitos da população: é a geração saúde abrindo o bolso.

Setor aposta na geração saúde para crescer ainda mais
Setor aposta na geração saúde para crescer ainda mais

— O consumidor está mais esclarecido. (...) As pessoas estão cada vez mais procurando produtos saudáveis e já descobriram que a água mineral não tem tratamento, ao contrário da água da torneira e do filtro. A tendência é que continue crescendo dois dígitos.


Copa do Mundo

Para a Copa do Mundo, o setor aumentou a produção, de olho nos turistas, em especial estrangeiros, que preferem a água mineral. A expectativa é comercializar 800 milhões de litros apenas no entorno dos estádios.


A Água Leve Mogiana, localizada em Ibiritiba Mirim, distante 84 km da capital paulista e que atende à região da Grande São Paulo e litoral, espera que o torneio compense a queda do consumo que normalmente acontece no inverno. 

O gerente operacional da empresa, Luis Alfredo Schultz, afirma que o faturamento anual da empresa já está na casa dos milhões e que a concorrência não é um problema.

— Com a entrada das grandes, como a Bonafonte [da marca Danone], o mercado ganha força e a água mineral fica mais vista. Valoriza o preço, fica melhor.

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E foi graças ao aumento de produção para atender aos turistas de junho que o setor conseguiu dar conta da repentina demanda neste início de 2014, provocada pelas temperaturas recordes nas cidades brasileiras — em São Paulo chegou a 36°C.

“Contamos com a sorte do crescimento anterior (14% em 2013), mais a perspectiva da Copa. Então, quando começou o verão, a gente já estava preparado para crescer 20%. [Ampliar em] mais 10% não foi difícil”, afirma Lancia, da Abinam.

Selo de qualidade

Para as vendas durante a Copa, a Água Leve Mogiana passou por uma fiscalização da Vigilância Sanitária. A seleção da Bélgica ficará hospedada em Mogi das Cruzes, a cerca de 16 km da empresa.

De acordo com o presidente da Abinam, as empresas de água mineral são fiscalizadas pelo Ministério da Saúde, Anvisa e o DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral) do Ministério de Minas e Energia.

Para a Copa, 30 marcas buscaram o selo internacional da NSF (National Sanitation Foundation), uma organização de saúde pública e ambiental que oferece certificação de produtos, localizada na Universidade de Michigan, Estados Unidos.

Para a Copa do Mundo, 30 marcas foram em busca da certificação internacional NSF
Para a Copa do Mundo, 30 marcas foram em busca da certificação internacional NSF

— A nossa água tem qualidade, mas alguns optaram [pela certificação da NSF] por questão de marketing.

A expectativa da Abinam é de que 14 bilhões de litros de água mineral sejam comercializados neste ano, com um incremento de 10% no faturamento, que fará as cifras chegarem a R$ 2,2 bilhões.

Com a demanda alta e as boas perspectivas para o futuro, a preocupação do segmento no momento são os impostos.

— É um absurdo a água mineral pagar o mesmo tributo do refrigerante.

Carlos explica que, até 1992, a água era tributada como alimento, que tem uma incidência menor de impostos. Mas depois passou a ser enquadrada no grupo das bebidas.

Ele explica que alguns Estados conseguiram reverter a situação, como Santa Catarina, onde a água mineral tem uma incidência tributária de 7%. Mas em São Paulo, a incidência de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) é de 18% — igual a refrigerantes e cervejas.

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