Análise: tarifas dos EUA são uma espécie de arma econômica na nova geopolítica comercial
‘Estamos falando basicamente de uma espécie de bloqueio comercial’, apontou especialista, que enxerga diálogo como saída
Economia|Do R7, com RECORD NEWS
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A possibilidade de o Brasil ter que enfrentar novamente tarifas norte-americanas em uma variedade de produtos cria um cenário desafiador para o agronegócio, especialmente para a citricultura, uma vez que o suco de laranja não escaparia das taxas. O curioso é que a laranja fresca estaria isenta, como aponta o professor da Escola de Economia da FGV (Fundação Getúlio Vargas), Daniel Vargas.
“Por quê? Porque lá na Flórida existe uma indústria de suco de laranja que tem crescido e que concorre com o Brasil”, explicou ao Conexão Record News desta terça-feira (3). Segundo Vargas, os EUA avaliam dois critérios antes de definir qual setor ou produto pode ser taxado.

Primeiro, identificam se tal ação poderia impactar o consumidor norte-americano; depois, analisam se haveria alguma consequência para a indústria americana, devido ao custo adicional que seria pago a bens exportados para a própria produção.
“As tarifas têm sido desenhadas de maneira a ampliar o maior impacto em investimento, crescimento econômico e emprego no país que vende, no caso, o Brasil. [...] É uma espécie de arma econômica na nova geopolítica comercial”. O professor prevê que as principais consequências aos setores mais afetados sejam milhões de dólares de prejuízo e o declínio do poder de produção.
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“Estamos falando basicamente de uma espécie de bloqueio comercial. Porque, com a tarifa tão elevada, é muito difícil entrar no mercado americano”. Para reverter a situação, Vargas entende que o momento pede boa diplomacia e apresentação de argumentos em tribunais para tentar atenuar ou derrubar as punições.
“Não é qualquer coisa que um governo pode fazer para simplesmente punir o comércio com o exterior. As argumentações utilizadas pelo governo Trump nesse caso já têm sido, por alguns setores, apresentadas como questionáveis ou não sendo suficientes para justificar a utilização dessa imposição tarifária”, conclui.
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