Governo projeta 'Pibinho' para 2015; crescimento só chega a 2% em 2016
Ministério do Planejamento prevê crescimento de 0,8% em 2015 e de 2% em 2016
Economia|Do R7
O Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão encaminhou nesta quinta-feira (4), ao Congresso, uma atualização de suas previsões de crescimento e superávit primário para os próximos três anos. Segundo o documento, a projeção é de que o País cresça apenas 0,8% em 2015 — inicialmente, o Planejamento apostava em alta de 3%, mas esse índice já havia sido revisado para 2% no final do mês passado.
Enviado ao senador Vital Rêgo (PMDB-PB), relator do PLDO (Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias) na Comissão Mista de Orçamento, o documento “atualiza” as estimativas em razão “da mudança do cenário macroeconômico ocorrida após o envio do PLDO, em abril deste ano, e das novas metas [de superávit] anunciadas para o período 2015 a 2017”, informou a pasta.
Segundo o Planejamento, o País só deve atingir uma taxa de crescimento de 2% em 2016, chegando a 2,3% em 2017. Para se ter uma ideia, no acumulado de 2014, até o mês de setembro, o PIB (Produto Interno Bruto), soma de todas as riquezas do País, está com alta de 0,2%.
O Planejamento explica que as projeções foram feitas a partir do relatório Focus do Banco Central, que apura a previsão de cerca de cem economistas.
A decisão de rever o crescimento de 2% para 0,8% acontece uma semana após o anúncio de Joaquim Levy como futuro ministro da Fazenda.
Superávit primário
Em seu discurso de apresentação, Levy anunciou uma revisão do superávit primário (economia que o País faz para pagar os juros de sua dívida) para os próximos anos: 1,2% do PIB para 2015, e ao menos 2% para 2016 e 2017.
Seguindo esse anúncio, o Planejamento divulgou hoje que a meta para o setor público consolidado (governo federal, Estados e municípios) é de R$ 66,3 bilhões, já descontados R$ 28,7 bilhões do PAC. Desse montante, R$ 55,3 bilhões correspondem à meta para o governo federal e R$ 11 bilhões para Estados e municípios.
“Caso os Estados e municípios não atinjam a meta estimada, o governo federal irá compensar a eventual diferença”, informou a pasta em documento.
“Assim, a meta de R$ 66,3 bilhões corresponde a 1,2% do PIB projetado para 2015 — R$ 5.523 bilhões”, diz a nota.
Além disso, o Planejamento prevê que a Selic (taxa básica de juros) deve continuar subindo e atingir, em média, 12,17% ao final de 2015. A previsão é de que os juros só voltem a cair a partir de 2016. Na quarta-feira (3), o Banco Central elevou a Selic de 11,25% para 11,75%
Para o dólar, o Planejamento prevê que a divisa norte-americana deverá encerrar 2015 cotado a R$ 2,67, chegando a R$ 2,80 em 2017.
O que é superávit primário? E déficit primário?
O “resultado primário” é a diferença entre receitas e despesas do governo, excluindo-se da conta as receitas e despesas com juros. Os dados consideram os gastos do governo com pagamento de salários, investimentos, obras de infraestrutura, financiamento de programas sociais, repasses a órgãos e ministérios, dividendos com bancos públicos, repasses previdenciários, entre outros. Por outro lado, considera a receita do governo com impostos e recebimento de dívidas, por exemplo.
Caso essa diferença seja positiva, tem-se um “superávit primário”; caso seja negativa, tem-se um “déficit primário”. O superávit primário é uma indicação de quanto o governo economizou ao longo de um período de tempo (um mês, um semestre, um ano) com objetivo de pagar os juros sobre a sua dívida.
O resultado negativo indica que o governo teve de se endividar para poder cumprir com seus compromissos. Com o déficit primário, os juros não pagos de dívidas anteriores se somam à atual dívida — ou seja, ficou maior a dívida pública do Brasil.
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