Acidente com avião foi "quase certamente um ataque terrorista", diz especialista em segurança aérea
Para Jean-Paul Troadec, um problema técnico ou falha não causam um acidente imediato
Internacional|Do R7, com agências

Um vôo da companhia aérea egípcia EgyptAir que voava de Paris para o Cairo e caiu no Mar Mediterrâneo com 66 pessoas a bordo foi "muito provavelmente derrubado por um ataque terrorista", segundo especialistas ouvidos pelo tabloide britânico Daily Mail.
O Airbus A320 deixou o aeroporto Charles De Gaulle, na capital francesa, na noite passada, antes de sumir do radar quando estava próximo da ilha grega de Karpathos, já na madrugada desta quinta-feira (19). Segundo as autoridades, não houve nenhum pedido de socorro.
56 passageiros estavam a bordo da aeronave — dentre eles um britânico, 30 egípcios, 15 franceses, um belga, um iraquiano, um homem do Kuwait, um saudita, um chadiano, um português, um argelino e um canadense. Haviam também 10 tripulantes no voo, incluindo três seguranças.
Jean-Paul Troadec, ex-chefe da unidade de investigação nacional da BEA (British European Airways, companhia aérea britânica), disse que a falta de um alerta de emergência momentos antes da queda do avião sugere um "evento brutal".
Avião de companhia aérea egípcia desaparece do radar em rota entre Paris e Cairo
Ele disse à estação de rádio parisiense Europe 1 que "um problema técnico, um incêndio ou uma falha no motor não causam um acidente imediato, e a equipe tem tempo para reagir".
— A equipe não disse nada, não reagiu. Por isso, foi muito provavelmente um evento brutal, e certamente podemos pensar em um ataque.
Também na madrugada desta quinta, o capitão de navio mercante que navegava pelo Mar Mediterrâneo relatou ter visto uma "chama no céu".
Há pouco, a companhia aérea Egyptair iniciou uma operação para investigar detalhadamente a identidade das 66 pessoas que estavam a bordo do voo MS803. O objetivo é verificar se alguém mantinha contato com extremistas ou grupos terroristas.
Argumentos
Vários cenários podem explicar o desaparecimento hoje (19) do avião A320, da Egyptair, que fazia a ligação entre Paris e a cidade do Cairo, mas especialistas dizem que um ataque terrorista é o mais provável. A França e o Egito têm sido recentemente alvos dos extremistas islâmicos.
Em outubro, o grupo fundamentalista Estado Islâmico reivindicou o ataque a um avião A321 da companhia russa Metrojet, que caiu no deserto do Sinai quando fazia o trecho entre a estância turística de Sharm el-Sheikh e São Petersburgo, matando 224 passageiros e a tripulação.
Segundo peritos, as possibilidades de uma avaria mecânica no caso do desaparecimento hoje do voo MS804 da EgyptAir são poucas. “Uma falha técnica grave — a explosão de um motor, por exemplo — parece improvável”, disse o especialista em aeronáutica Gérard Feldzer, destacando que o A320 em questão era “relativamente novo”, porque vinha voando desde 2003.
Trata-se de “um avião moderno, o acidente ocorreu em pleno voo em condições extremamente estáveis. A qualidade da manutenção e do avião não estão em causa neste acidente”, reforçou Jean-Paul Troadec, antigo diretor do Gabinete de Inquéritos e Análises para a segurança da aviação civil de França.
Troadec assinalou ainda que a EgyptAir “é uma companhia que está autorizada” a voar na Europa e “não está na lista negra”.
Os peritos consideram igualmente improvável que o avião tenha sido atingido do solo, como foi o caso do voo 17 da Malaysia Airlines que caiu na Ucrânia em julho de 2014, ou do mar, como ocorreu em julho de 1988 quando a marinha norte-americana fez explodir por engano um avião de passageiros da Iran Air.
O avião da Egyptair desapareceu a cerca de 130 milhas náuticas da ilha grega de Karpathos, o que o coloca fora do alcance dos lança-mísseis portáteis utilizados por vários grupos combatentes no Oriente Médio.
“Não podemos excluir a possibilidade de ter sido atingido por engano por outro avião, mas provavelmente já saberíamos”, disse Feldzer, adiantando que a região ao norte do Egito, incluindo as costas de Israel e da faixa de Gaza, é “uma das mais vigiadas do mundo, também por satélite”.
Se for determinado que se trata de uma bomba [que causou a tragédia], a questão para os investigadores será como é que o dispositivo foi levado para um avião que decolou do aeroporto mais movimentado da França, o Charles de Gaulle, em Paris, onde o alerta de segurança é elevado desde os ataques terroristas do ano passado na capital francesa.
“A primeira coisa a fazer é recuperar destroços que nos darão algumas indicações sobre o acidente, se houve uma explosão, pode haver talvez vestígio de explosivos", disse Troadec.
Parentes de passageiros do voo da EgyptAir que desapareceu no Mar Mediterrâneo aguardam informações no Aeroporto Internacional do Cairo, no Egito, nesta quinta-feira (19)
Parentes de passageiros do voo da EgyptAir que desapareceu no Mar Mediterrâneo aguardam informações no Aeroporto Internacional do Cairo, no Egito, nesta quinta-feira (19)





![O presidente francês François Hollande afirmou nesta quinta-feira que nenhuma hipótese sobre o desaparecimento do voo MS804 da EgyptAir está descartada. A aeronave, que fazia a rota Paris-Cairo, sumiu dos radares quando sobrevoava o mar Mediterrâneo.
— Infelizmente a informação que nós temos nos confirma que o avião caiu e está desaparecido. [...] Nenhuma hipótese pode ser descartada, nem pode ser favorecida em detrimento de outra](https://newr7-r7-prod.web.arc-cdn.net/resizer/v2/PMQXYJF53ZPYJOAGVL6NT6TRCI.jpg?auth=0df162e2b8e63037c371ddc7b3cd3195bf388f07ad6267602ef5e477887cb93f&width=800&height=558)










