Brasil vê oportunidades se Trump adotar políticas protecionistas, diz ministro
Marcos Pereira disse que México poderia desenvolver relações comerciais mais fortes com Brasil
Internacional|Do R7

O Brasil tem a oportunidade de fortalecer os laços com países do Pacífico e da Europa se o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adotar políticas protecionistas, disse Marcos Pereira, ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços na quinta-feira (26).
Em entrevista à Reuters, o ministro apontou para o México, um concorrente de longa data para o comércio e o investimento na América Latina, como um dos países que poderiam desenvolver relações comerciais mais fortes com o Brasil.
As tensões entre o México e os EUA aumentaram desde que Trump tomou posse, com o presidente norte-americano dizendo que pretende renegociar o Nafta (Acordo de Livre Comércio da América do Norte) e construir um muro na fronteira EUA-México. O presidente mexicano Enrique Pena Nieto, na quinta-feira, cancelou uma reunião planejada com Trump.
Pereira também disse esperar que o Chile e o Peru busquem se aproximar mais do Brasil e do Mercosul, bloco comercial sul-americano, agora que Trump retirou os Estados Unidos da Parceria Transpacífico.
Ele acrescentou que a chegada de Trump à Casa Branca levou a União Europeia a demonstrar maior interesse em concluir um acordo comercial com o Mercosul que está sendo discutido há 15 anos.
Ministro Marcos Pereira fecha acordo para estimular comércio com a China
Ao mesmo tempo, Brasília espera que Trump não restrinja o comércio entre os EUA e o Brasil. Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, depois da China, e o maior mercado de seus produtos manufaturados, incluindo aviões comerciais.
— O Brasil até agora não está na mira de Trump. Creio que não haverá prejuízo para a indústria brasileira. Creio que nós teremos oportunidades de avançar com os EUA, mas também e sobretudo com aqueles países onde eles estão colocando impedimentos, como os países da aliança do Pacífico. Com a saída deles do TPP, acho que aumenta nossas chances de avançar com países como Peru e Chile.
O Brasil pode não estar no radar do Trump porque compra mais dos Estados Unidos do que vende lá, registrando um déficit de 646 milhões de dólares no ano passado, e não está atraindo investimentos que ameacem empregos nos EUA.
"Ano cheio"
Assolado pela pior recessão em um século, o Brasil está ansioso para expandir suas exportações e está pronto para agarrar oportunidades de comércio com os países que enfrentam retrocessos em seu acesso ao mercado dos EUA.
O comércio com o México, a maior economia da América Latina depois do Brasil, tem potencial para crescer à medida que a relação EUA-México se agrava.
— Vemos isto como uma oportunidade para ampliar nossas discussões comerciais, e espero que eles tenham a mesma visão. Seria bom para o Brasil mas sobretudo para eles porque quem está pressionado são eles.
O ministro também saiu do Fórum Econômico Mundial em Davos na semana passada, convencido de que a UE está mais propensa do que nunca para chegar a um acordo com o Mercosul.
Segundo ele, um acordo poderia ser acertado politicamente no início do próximo ano, deixando questões espinhosas como a resistência francesa e irlandesa para reduzir as barreiras agrícolas a serem trabalhadas mais tarde.
O Brasil está em negociações de livre comércio com a Associação Europeia de Livre Comércio que agrupa Noruega, Islândia, Suíça e Liechtenstein — países não membros da UE—, bem como com o Canadá.
O governo Trudeau no Canadá também sinalizou que quer negociar uma solução para uma disputa sobre os subsídios para a fabricante de aviões Bombardier que o Brasil ameaçou recorrer à OMC (Organização Mundial do Comércio), disse Pereira.
— Vai ser um ano divertido no mínimo, de bastante diálogo com esses players, para tentar substituir esse aumento do protecionismo que vem aí e agora ficou mais robusto por conta da postura do novo presidente americano.












