Internacional

26/12/2012 às 08h25 (Atualizado em 26/12/2012 às 09h31)

Chefe da polícia militar síria anuncia deserção; guerra já deixou 45 mil mortos

General Abdelaziz Jassim al Shalal anunciou sua deserção em um vídeo no Youtube

Reuters

Reprodução/Youtube/Reuters

Em dia de novos bombardeios, de mais crianças mortas e da confirmação de que 45 mil pessoas já morreram em quase dois anos de combates, o governo do presidente sírio Bashar al Assad sofreu mais uma baixa importante nesta quarta-feira (26). O chefe da polícia militar desertou do Exército e declarou lealdade à revolta contra o presidente.

O anúncio do general Abdelaziz Jassim al-Shalal foi divulgado em um vídeo no Youtube. Uma fonte oficial de segurança confirmou a deserção.

"Eu sou o general Abdelaziz Jassim al-Shalal, chefe da polícia militar. Eu desertei devido ao desvio do Exército de seu dever primário de proteger o país e sua transformação em gangues de assassinato e destruição", disse o oficial em um vídeo publicado no Youtube.

Uma fonte de segurança da Síria confirmou a deserção, mas minimizou sua importância, dizendo que Shalal deveria se aposentar e havia desertado para "brincar de herói."

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A deserção acontece no dia em que mais um atentado violento atinge o país.

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) divulgou um vídeo que mostra os destroços e pedaços de corpos após um ataque no norte da Síria, na Província de Raqqa.

De acordo com dados da oposição, 20 pessoas morreram no bombardeio: entre as vítimas estão oito crianças.

Mais de 45 mil mortes

O OSDH divulgou hoje que a violência na Síria deixou mais de 45 mil mortos, dos quais mais de 30 mil civis, desde o início dos protestos contra o regime de Assad há 21 meses.

Ao menos 31.544 civis morreram desde 15 de março de 2011, destacou a ONG, que também inclui as pessoas que pegaram armas para combater as tropas do regime.

"Milhares de pessoas contabilizadas como civis são rebeldes", estima o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

O número de soldados mortos chega a 11.217 e o de desertores a 1.511, segundo a ONG, com sede no Reino Unido e que se baseia em uma ampla rede de ativistas e de fontes médicas nos hospitais civis e militares do país.

"É preciso acrescentar outras 776 pessoas mortas cuja identidade é desconhecida", segundo Abdel Rahman, que eleva o número de vítimas mortais em 21 meses a 45.048.

Mas estes balanços não incluem os milhares de desaparecidos em detenção nem a maioria dos "shabihas" (milicianos pró-regime) mortos.

— Além disso, nem os rebeldes, nem o Exército revelam o número exato de mortos em suas fileiras para não desmoralizar as tropas.

O OSDH tampouco inclui os combatentes estrangeiros quando sua morte é anunciada por seus países.

Se todas a categorias forem somadas, o número pode superar os 100 mil, segundo Abdel Rahman.

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