Obama aposta em Israel e Palestina após série de fracassos dos EUA na região
Mundo islâmico encontra-se em plena tensão diante das ameaças iranianas e as crises no Egito, Síria, Iraque e Afeganistão
Internacional|Fábio Cervone, colunista do R7

A viagem do presidente norte-americano Barack Obama a Israel, que começa nesta quarta-feira (20), é um verdadeiro teste para o governo democrata diante da persistente instabilidade do mundo islâmico, agravada desde a invasão ao Afeganistão, em 2001. Após uma série de fracassos na região, os EUA apostam na retomada das negociações entre palestinos e israelenses para recuperar sua influência e imagem, além de reacender a esperança por maior estabilidade na maior zona petrolífera do mundo.
Desde a invasão norte-americana ao Afeganistão em 2001, a política externa dos EUA colecionou conflitos e crises com o mundo islâmico que ainda não foram solucionados. As incertezas que rondam atualmente o Oriente Médio fazem de Israel um parceiro estratégico para que Obama consiga ao menos uma vitória diplomática na região.
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Entre os problemas enfrentados pelos EUA internacionalmente estão a insistência iraniana em manter seu programa nuclear — apesar da pressão internacional —, além dos mais de dois anos de guerra civil na Síria — desencadeada pelos protestos da chamada Primavera Árabe — que, aparentemente, não deverá ser pacificada tão cedo.
Nessa lista também está a Guerra do Iraque, que derrubou o ex-ditador Saddam Hussein e completou dez anos na última terça-feira (19) sem ter o que comemorar. No mesmo dia em que se recordou o início da invasão americana ao país, um atentado na capital Bagdá matou mais de 50 pessoas, expondo a fragilidade da segurança iraquiana.
Enquanto isso, do outro lado do golfo Pérsico, após mais de 12 anos em território afegão, as forças dos EUA e da OTAN ainda tentam deixar o Afeganistão de forma honrada sem que o comando do país caia novamente nas mãos de grupos extremistas, como a Al Qaeda e, especificamente, o Taleban.
No Egito, na Líbia e no Iêmen, os resultados da Primavera Árabe deixaram mais dúvidas e riscos para os EUA do que possíveis cenários de paz.
Com isso, o conflito que Obama terá maior chance de obter sucesso concreto no médio prazo é aquele deflagrado entre israelenses e palestinos, algo que se arrasta há mais de cem anos.
O governo norte-americano expressou esta prioridade ao escolher Israel como o destino de sua primeira visita à região em seu segundo mandato presidencial. A ocasião deverá ser apenas a introdução para outras iniciativas que consigam combinar os desejos palestinos pelo reconhecimento definitivo de seu Estado e israelenses por uma paz duradoura.
Se aposta de Obama gerar frutos, certamente este será um dos seus maiores trunfos internacionais do seu segundo mandato.
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