Mesmo sem indiciamento da polícia, mãe de Joaquim será denunciada pelo MP
Promotor vê “omissão” de Natália Ponte na morte do filho, no mês passado
São Paulo|Thiago de Araújo, do R7

A psicóloga Natália Mingoni Ponte, de 29 anos, também deve ser denunciada pelo MP (Ministério Público) pela morte do filho, Joaquim Ponte Marques, de 3, encontrado morto no dia 10 de novembro, no rio Pardo, em Barretos, no interior de São Paulo. A informação é do promotor Marcus Tulio Alves Nicolino. A posição contraria o indiciamento da polícia, que focou-se exclusivamente no técnico em informática Guilherme Rayme Longo, de 28, padrasto do menino.
Em entrevista ao R7, o representante do MP explicou que o entendimento do delegado Paulo Henrique Martins de Castro, responsável pelo caso, de que Natália não participou da morte de Joaquim, não afeta o posicionamento da acusação de denunciar mãe e padrasto pelo crime. O que Nicolino ainda analisa são os termos nos quais se dará a denúncia contra ela.
— A posição do delegado não me vincula. Já venho falando há algum tempo, pelo menos omissa ela foi. Se omissa ela foi, não sei ainda pelo que ela vai responder. Preciso analisar, me aprofundar nessa questão, se ela vai responder culposamente ou dolosamente, mas que ela vai responder por alguma coisa ela vai.
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Já Longo, indiciado pela polícia como responsável pelo crime, deve ser denunciado pelo promotor pelo homicídio doloso triplamente qualificado — meio cruel, motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima –, o que sugere uma pena, em caso de condenação por todas as acusações, acima dos 30 anos de prisão. Ele continua preso e, para Nicolino, deve continuar assim ao longo de todo o processo.
— A intenção nossa que ele permaneça preso. Esse indivíduo não pode ficar solto. Ele demonstrou uma periculosidade acentuada, com uma barbaridade dessas, não tem condições de aguardar o processo em liberdade.
Inquérito pode ser concluído ainda nesta sexta-feira
O delegado Paulo Henrique Martins de Castro afirmou ao R7 que espera concluir até o fim da tarde desta sexta-feira (20) o inquérito da morte de Joaquim. Embora alguns laudos não estejam prontos, ele diz que o trabalho policial está praticamente encerrado, restando apenas a necessidade de produzir o relato que será encaminhado ao MP.
— É uma coisa extensa, então demanda tempo. Espero conseguir relatar tudo ainda hoje.
Castro reiterou que os elementos contra Longo são “muito consistentes” e que os documentos que ficarão prontos nas próximas semanas não alterarão a tese da polícia, que aponta para o padrasto como autor do crime. A motivação seria o ciúme que ele nutria pelo garoto, fruto de um relacionamento anterior de Natália. A presença do menino estaria, segundo a polícia e o MP, atrapalhando a vida do casal.
O promotor completa:
— O crime se deu pelo ciúme que ele tinha da criança, dela estar atrapalhando, em tese, a vida dele com a Natália, e mesmo o processo dele ser uma pessoa agressiva, desequilibrada, que vinha cometendo atos anteriores que eclodiram um evento dessa natureza. Já havia um histórico que poderia levar ao que aconteceu. E aí eu acho que ela entra como omissa. Se ela tinha ciência de tudo isso, jamais poderia ter descuidado da criança, deixar uma criança doente sob os cuidados de um cara desse perfil.














