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Bolsonaro disse em depoimento que delegado da PF permitiu que ele ficasse com arma em casa

Relatório da Polícia Civil do DF isentou ex-presidente de crime, mas citou que ele pediu para manter pistola para ‘defesa da residência’

Estadão Conteúdo

Brasília|Do Estadão Conteúdo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Jair Bolsonaro afirmou em depoimento que um delegado da Polícia Federal permitiu que ele mantivesse uma arma em casa.
  • A Polícia Civil do DF investigou a apreensão de uma pistola Glock registrada em nome de Bolsonaro durante uma blitz em Brasília.
  • O militar Estácio Leite da Silva Filho foi indiciado por portar a arma sem autorização do proprietário, em desacordo com o Estatuto do Desarmamento.
  • A defesa de Bolsonaro admitiu que a arma pertencia a ele, mas estava desativada para sua proteção.

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Segundo documento da PCDF, Bolsonaro recebeu aval após argumentar que 'residia com mulheres' Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil- 14.09.2025

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disse em depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal que um delegado da Polícia Federal permitiu que ele ficasse com uma arma em casa.

A informação consta no relatório final da investigação sobre a apreensão de uma pistola Glock registrada no nome do ex-presidente durante uma blitz de trânsito em Brasília. O militar envolvido na apreensão, o segundo-sargento Estácio Leite da Silva Filho, foi indiciado.


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Segundo o relatório da Polícia Civil do DF, Bolsonaro contou que, quando já se encontrava em prisão domiciliar, foi alvo de um mandado da Polícia Federal. De acordo com o depoimento, as armas da casa foram apreendidas durante o cumprimento da medida, mas o ex-presidente pediu ao delegado que deixasse ao menos uma arma no local, “pois residia com mulheres e necessitava da arma para a defesa da residência”.

Ainda segundo o relato de Bolsonaro, “o delegado saiu e conversou com alguém ao telefone, tendo lhe devolvido a arma de fogo”.


Bolsonaro não disse, contudo, o momento da ocorrência. Ele foi alvo de medidas cautelares em julho de 2025, foi para a prisão domiciliar em agosto, condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em setembro e teve a prisão preventiva decretada em novembro, três dias antes de começar a cumprir a pena à qual foi condenado.

Sem indícios de crime

A Polícia Civil do DF não viu indícios de crime de Bolsonaro pela posse da arma. “É fato notório que foram cumpridos mandados de busca e apreensão em sua residência e a arma de fogo não foi recolhida ou mesmo foi lançada restrição em seu registro”, diz o relatório.


Quanto ao militar Estácio Filho, o militar envolvido na apreensão, a corporação o indiciou por portar uma arma registrada em nome de um terceiro sem autorização do proprietário, “em desacordo com as exigências legais do Estatuto do Desarmamento”.

Apreensão em blitz

Em 15 de junho, Estácio Filho dirigia um veículo oficial da Presidência da República quando foi parado por uma blitz de trânsito na região administrativa de Taguatinga, no Distrito Federal.


Durante a abordagem, o policial notou a presença de uma pistola no carro. Segundo o agente, ao perceber que a arma havia sido notada, Estácio fechou o vidro de forma “repentina”. Em seguida, a pistola foi recolhida e o militar alegou ter porte autorizado como membro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional).

Estácio afirmou que a arma estaria registrada em sua atividade funcional, mas a policial da blitz, porém, constatou não haver nenhum registro do equipamento em nome do servidor. O militar, então, admitiu que a pistola pertencia a Jair Bolsonaro. De acordo com o segundo-sargento, a arma lhe foi entregue horas antes, com a finalidade de realizar um reparo no percussor.

O GSI informou que Estácio Filho não integra o quadro de servidores do órgão. O segundo-sargento, na verdade, faz parte de uma equipe de assessores que acompanham o ex-presidente após o mandato presidencial. Esses funcionários são treinados pelo GSI, mas não integram o gabinete.

Nos primeiros esclarecimentos prestados ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, a defesa de Bolsonaro admitiu que a arma pertencia a ele, mas informou que o equipamento estava desativado para proteger o ex-presidente. Em depoimento ao relator na última terça-feira (23), Bolsonaro reiterou a versão apresentada por seus advogados.

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