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Bolsonaro tenta reverter condenação em julgamento com dois ministros indicados por ele

Defesa tenta anular condenação, enquanto especialistas analisam chances de vitória e efeitos de uma eventual revisão da pena

Brasília|Mariana Saraiva, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A defesa de Jair Bolsonaro pede revisão da condenação em julgamento no STF, com dois ministros indicados por ele.
  • Especialistas avaliam que, apesar da composição do colegiado, a vitória da defesa não é garantida.
  • Um possível empate no julgamento pode resultar na manutenção da condenação ou na suspensão do mesmo para convocação de um ministro de outra turma.
  • Se o pedido for aceito, o STF pode optar por anular a condenação ou reduzir a pena de Bolsonaro.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

DF - TSE/NUNES MARQUES/PRESIDÊNCIA/POSSE - POLÍTICA - Os ministros Kassio Nunes Marques (E) e André Mendonça (D) tomam posse como presidente e vice-presidente do Tribunal   Superior Eleitoral (TSE), respectivamente, durante cerimônia realizada na sede da corte, em Brasília, na noite desta   terça-feira, 12. A dupla, indicada ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ficará à   frente da Corte eleitoral durante as eleições de outubro. O mandato tem duração de dois anos.    12/05/2026 - Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO
Nunes Marques e André Mendonça compõem a Segunda Turma do STF Wilton Junior/Estadão Conteúdo - 12.5.2026

Com dois ministros indicados por Jair Bolsonaro no colegiado, a Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) vai analisar o pedido de revisão criminal apresentado pela defesa do ex-presidente. Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que a presença de André Mendonça e Nunes Marques (sorteado como relator) pode influenciar o ambiente do julgamento, mas não garante uma decisão favorável ao ex-presidente, como anulação ou redução da pena de 27 anos e 3 meses de prisão.

O caso foi distribuído para um ministro da Segunda Turma por causa das regras internas do Supremo, que dizem que a revisão criminal não pode ser analisada pelos mesmos ministros do colegiado que participaram do julgamento original.

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Os artigos 76 e 77 do Regimento Interno do STF determinam que recursos e revisões sejam distribuídos à turma oposta, justamente para preservar a imparcialidade e evitar que os mesmos magistrados revisem a própria decisão.

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Atualmente, a Segunda Turma é composta pelos ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux, André Mendonça e Nunes Marques. Fux, porém, ficou impedido de participar do julgamento por já ter atuado no processo original. Dessa forma, apenas quatro ministros participarão da análise.

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A presença de André Mendonça e Nunes Marques no colegiado ampliou as especulações sobre as chances de Bolsonaro conseguir uma decisão favorável. Para o advogado Márcio Coimbra, CEO da Casa Política e ex-diretor da Apex-Brasil e do Senado, isso traz um peso político importante para o julgamento, mas não representa garantia de vitória para a defesa.

“A presença de dois ministros indicados por Bolsonaro cria uma nuance relevante no cálculo político e jurídico do caso, mas a defesa ainda precisará conquistar ao menos três votos favoráveis. Isso transforma Gilmar Mendes e Dias Toffoli em peças centrais para o desfecho do julgamento”, afirma.

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Para o cientista político Gabriel Amaral, o debate em torno das indicações também revela uma mudança na percepção pública sobre o STF.

“O simples fato de a discussão pública girar em torno de quem indicou cada ministro mostra como o Supremo passou a ser enxergado também sob uma ótica política. Hoje, o ambiente decisório da Corte é observado não apenas juridicamente, mas também pelo impacto institucional e simbólico das composições internas”, analisa.

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Apesar disso, ele ressalta que ministros do STF não atuam necessariamente alinhados aos presidentes que os indicaram. “Existe uma pressão institucional muito forte envolvendo coerência jurídica, reputação pública e estabilidade interna da Corte”, completa.

Pode haver empate?

Com apenas quatro ministros aptos a votar, um dos cenários possíveis é o empate em 2 a 2. Nesse caso, especialistas afirmam que o STF pode enfrentar uma discussão jurídica delicada.

Márcio Coimbra explica que, em processos criminais tradicionais, o empate costuma favorecer o réu pelo princípio do in dubio pro reo, segundo o qual a dúvida beneficia o acusado. No entanto, ele ressalta que a revisão criminal possui características diferentes.

“Na revisão criminal, já existe uma condenação definitiva contra o réu. Por isso, parte da doutrina entende que o empate poderia manter a condenação, por não haver maioria suficiente para derrubar a decisão já transitada em julgado”, afirma.

Segundo ele, outra possibilidade seria a suspensão do julgamento para convocação de um ministro de outra turma, responsável pelo voto de desempate.

Para Gabriel Amaral, um eventual empate teria forte impacto político. “Isso reforçaria a imagem de um STF dividido justamente em um dos casos mais sensíveis e relevantes da política brasileira recente”, avalia.

O que muda se o pedido for aceito?

Caso o pedido da defesa seja aceito, os efeitos podem variar bastante, dependendo do entendimento do STF sobre eventuais erros no processo.

Segundo Márcio Coimbra, a Corte pode decidir pela anulação total da condenação, o que levaria à realização de um novo julgamento. Também existe a possibilidade de absolvição direta, caso os ministros entendam que não houve crime ou participação de Bolsonaro nos fatos apontados.

“O tribunal pode optar pela anulação total do processo, o que extinguiria a pena atual e exigiria um novo julgamento, ou pela absolvição direta se ficar comprovada a inexistência do fato ou a não participação do réu, levando à imediata extinção da punibilidade. Por outro lado, há a possibilidade de uma procedência parcial, em que a condenação é mantida, mas a dosimetria da pena é revista para patamares menores, eliminando agravantes ou reclassificando os tipos penais imputados.”

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