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Vieira diz que falta compreensão dos EUA sobre relação comercial e pede diálogo contra tarifaço

Ministro diz não haver razão para as medidas de proteção, já que Brasil soma déficit de US$ 450 bilhões em 15 anos com americanos

Brasília|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O ministro Mauro Vieira afirma que falta compreensão dos EUA sobre a balança comercial com o Brasil, o que motivou a recomendação de novas tarifas.
  • Reuniões com o representante comercial dos EUA destacaram a importância do diálogo para evitar sobretaxas.
  • Os EUA propuseram tarifas punitivas devido a práticas comerciais desleais e falhas no combate ao trabalho forçado.
  • Brasil responde às investigações dos EUA com argumentos de que não há superávit e que as práticas comerciais são legítimas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Mauro Vieira, ministro das relações exteriores, e Lula
Mauro Vieira afirmou que falta compreensão dos EUA para evitar novo tarifaço ao Brasil Marcelo Camargo/Agência Brasil – 25.05.2026

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quinta-feira (4) em Paris que falta compreensão do governo americano sobre a balança comercial entre Brasil e Estados Unidos. Esta é a razão, segundo o chanceler, para a recomendação de um novo tarifaço, que pode chegar a até 37,5% para algumas mercadorias nacionais.

Durante reunião da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o ministro disse que, talvez, os americanos “não tenham entendido bem o tema” ao explicar o porquê de o USTR (Escritório de Comércio dos Estados Unidos) recomendar sobretaxa de 25% por práticas desleais e mais 12,5% por não vetar e enfrentar o trabalho forçado nas fábricas.


“Talvez tenha faltado resolver a compreensão, [talvez] não tenham entendido bem o tema, que espero que seja, então, solucionado e levado ao presidente Trump em breve”, afirmou.

Vieira também deu mais detalhes de como foi o encontro com o representante comercial dos Estados Unidos, o embaixador Jamieson Greer, ontem. O ministro reforçou a importância do diálogo entre Brasil e americanos a fim de evitar a sobretaxa.


“Foi um encontro rápido na abertura da sessão ministerial da OCDE. Ele se aproximou de mim, conversamos. Me disse que tinha ótimas conversas com o Brasil, que é nosso interesse, sobretudo depois dos relatórios finais das duas investigações sobre a seção 301, que tinham sido apresentados antes do prazo estabelecido na reunião dos presidentes [Lula e Trump] em Washington, que seria de 30 dias para começarmos a negociar. Ele disse que estava pronto para continuar as conversas, que o diálogo tinha sido muito bom. Falei que era ótimo, que continuássemos assim, a negociar”, resumiu.

Histórico do tarifaço

Vieira voltou a dizer que todas as respostas solicitadas pelos americanos foram dadas, inclusive por uma força-tarefa formada por membros de diversos ministérios.


“Quando começaram a surgir essas questões de impostos americanos, sempre negociamos e conversamos num longo histórico de conversas. Sempre estivemos dispostos a conversar, não só na área comercial, mas também sobre o crime organizado, temas levantados pelo presidente Lula com o presidente americano”, iniciou.

O chanceler lembrou que, durante as consultas dos EUA, ligadas à seção 301, “respondemos com uma equipe muito robusta e sólida, com representantes de vários ministérios, a mais de 80 perguntas no curso da investigação”.


“Esperamos que tudo seja levado em conta e fique comprovado que não há por que sermos objeto de tarifas, porque todos os argumentos apresentados provam que não são legítimos. Por exemplo, não temos superávit com os EUA. Pelo contrário, nos últimos 15 anos, contando o déficit do ano passado, são US$ 450 bilhões”, destacou.

Sobretaxas ao Brasil

Já existe uma tarifa global temporária de 10%, que vai caducar em breve. Nesta semana, o USTR, escritório de comércio responsável por analisar as relações dos EUA com o mundo, recomendou duas punições ao Brasil com base em investigações baseadas na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, de 1974.

Na terça (2), a administração Trump propôs uma nova tarifa punitiva de 25% sobre diversas importações do Brasil, após concluir que as práticas do país eram desleais em uma série de questões, desde o comércio digital até o desmatamento ilegal.

Um dia depois, na quarta (3), os americanos recomendaram uma nova sobretaxa de 12,5% a todos os produtos brasileiros por falha no combate ao trabalho forçado. A economia brasileira faz parte de uma lista de 60 países que, supostamente, não conseguiram proibir práticas “inaceitáveis” na produção.

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