Brasil, México e Argentina expressam consternação com ação militar israelense na Cisjordânia
A embaixada de Israel afirma, em nota, que "onda de terrorismo" é "resultado de incitação contínua" pelo lado palestino
Brasília|Do R7, em Brasília

O governo brasileiro emitiu na noite desta terça-feira (4), em conjunto com outros dois países latino-americanos, uma nota oficial em que expressa "consternação" por causa da recente ação militar israelense na cidade palestina de Jenin, na Cisjordânia. A nota foi assinada em conjunto com os governos da Argentina e do México, durante a 62ª Cúpula do Mercosul, na cidade argentina de Puerto Iguazú.
A operação das Forças de Defesa de Israel na Cisjordânia deixou pelo menos dez palestinos mortos e mais de 50 feridos. Os militares israelenses afirmam que destruíram centros de comando de células terroristas. Centenas de combatentes palestinos, se escondem em um campo de refugiados da cidade. Em Gaza, palestinos protestaram contra a operação do exército de Israel.
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Os governos da Argentina, do Brasil e do México condenam também o atentado ocorrido na manhã desta terça-feira em Tel Aviv que resultou em vários feridos. Os três países pedem que as hostilidades parem imediatamente e temem a escalada de violência na região.
Por fim, as três nações reiteraram o "apoio à solução de dois Estados, com Palestina e Israel coexistindo em paz e segurança, dentro de fronteiras mutuamente acordadas e internacionalmente reconhecidas".
O embaixador do Estado Palestino em Brasília, Ibrahim Alzeben, se manifestou de maneira crítica sobre a nota conjunta dos governos brasileiro, argentino e mexicano. "Lamentável ignorar a massacre em Jenin e não condenar Israel expressamente", declarou o embaixador palestino.
De acordo com a nota emitida pela Embaixada de Israel no Brasil, a operação iniciada no último domingo (2) foi "direcionada no Campo de Refugiados de Jenin contra a infraestrutura terrorista e agentes do terrorismo que lá se instalaram". Ainda de acordo com o governo israelense, a ação é um "resultado de informações de inteligência que revelaram o uso de um prédio em Jenin como centro de comando operacional conjunto para uma célula terrorista local da Jihad Islâmica.
Israel também afirma, na nota enviada pela embaixada, que "a atual onda de terrorismo é resultado de uma incitação contínua por parte de todo o sistema palestino" e que "o incentivo e a incitação ao terrorismo na Cisjordânia por parte do Irã, do Hamas e da Autoridade Palestina (AP) são particularmente notáveis".
Veja abaixo a íntegra da nota do Ministério das Relações Exteriores
"Os governos da Argentina, Brasil e México tomaram conhecimento, com consternação, de nova incursão militar israelense de grande escala lançada na cidade de Jenin, na Cisjordânia, Palestina. O ataque, que incluiu bombardeios aéreos, deixou até agora pelo menos dez palestinos mortos e mais de cinquenta feridos.
Os governos da Argentina, Brasil e México expressam suas sentidas condolências às famílias das vítimas e instam todas as partes envolvidas a cessar imediatamente as hostilidades, a fim de evitar a escalada de violência que resulta em aumento de vítimas civis, deslocamentos populacionais e destruição da infraestrutura urbana em Jenin.
Os governos da Argentina, Brasil e México reiteram sua condenação ao terrorismo em todas as suas formas e manifestações e expressam solidariedade aos familiares das vítimas dos recentes ataques contra cidadãos israelenses. Os países que subscrevem esta nota condenam, por este motivo, o atentado perpetrado na manhã de hoje em Tel Aviv que resultou em vários feridos.
Os governos da Argentina, Brasil e México fazem apelo para que o Direito Internacional e o Direito Internacional Humanitário sejam respeitados. Reiteram mais uma vez o apoio à solução de dois Estados, com Palestina e Israel coexistindo em paz e segurança, dentro de fronteiras mutuamente acordadas e internacionalmente reconhecidas."
Veja abaixo a íntegra da nota da Embaixada de Israel no Brasil
"As Forças de Defesa de Israel (FDI) começaram na noite de ontem (02) uma operação direcionada no Campo de Refugiados de Jenin contra a infraestrutura terrorista e agentes do terrorismo que lá se instalaram. A operação antiterrorista é resultado de informações de inteligência que revelaram o uso de um prédio em Jenin – próximo de escolas e de instalações da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados – como centro de comando operacional conjunto para o Campo de Jenin e para as operações da “Brigada de Jenin”, célula terrorista local da Jihad Islâmica.
O centro de comando operacional também servia como centro avançado de observação e reconhecimento, um local onde os terroristas armados se reuniam antes e depois das actividades terroristas, um local para armas e explosivos e um centro de coordenação e comunicação entre os terroristas. Além disso, o centro de comando serviu de abrigo para indivíduos procurados envolvidos na execução de ataques terroristas nos últimos meses na região.
As forças de segurança atuam de forma direcionada contra os elementos terroristas armados, fazendo os maiores esforços possíveis para evitar danos à população civil. A atividade das FDI no acampamento é feita com grandes esforços para preservar a textura e a rotina da vida de todos os residentes da Judeia e Samária. Assim, a entrada de trabalhadores palestinos em Israel continua e a rotina da atividade civil é mantida em toda a região.
Jenin é líder em número de atentados contra isralenses quando comparada com outras cidades na Judeia e na Samaria. Ao todo, entre desde março de 2022, 15 cidadãos israelenses foram mortos por ataques advindos da área, além de vários feridos por incontáveis pequenos incidentes terroristas. Muitas das tentativas de atentados poderiam ter levado à mais perdas humandas se não houvessem sido frustrados pela inteligência israelense.
A atual onda de terrorismo é resultado de uma incitação contínua por parte de todo o sistema palestino. O incentivo e a incitação ao terrorismo na Cisjordânia por parte do Irã, do Hamas e da Autoridade Palestina (AP) são particularmente notáveis.
Enquanto isso, as organizações terroristas Jihad Islâmica Palestina e Hamas tiram proveito da instável governança da Autoridade Palestina e sua recusa em agir contra os elementos terroristas para se estabelecerem em todo a Judeia e Samária - e isso não deixa opção às Forças de Defesa de Israel a não ser entrar e operar em áreas de atrito em para evitar ataques contra Israel.
Israel condena veementemente o terrorismo palestino e a deliberada posição da AP em ignorar o incitamento – e especialmente as expressões de apoio dos oficiais da AP aos ataques e os pagamentos que a AP faz às famílias de Palestinos mortos, feridos ou presos enquanto executavam violência politicamente motivada contra Israel. A AP deve ser pressionada para que cumpra seu papel de acalmar a área, impedir ataques terroristas e prevenir incitações e desinformações, exigir que os palestinos erradiquem a violência e incitação entre si e se abstenham de medidas que desestabilizem a área.
Enquanto isso, Israel continuará a tomar uma atitude dura e intransigente contra o terrorismo em todas as suas formas, a fim de garantir a segurança de seus cidadãos."















