Análise: decisão sobre fiscalização remota de áreas desmatadas é um ‘contrassenso’
Câmara dos Deputados aprovou proposta que fragiliza o controle de áreas desmatadas com base em imagens de satélite
Brasília|Do R7, com RECORD NEWS
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A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (20) uma proposta que fragiliza a fiscalização remota de áreas desmatadas. O texto proíbe embargos e outras medidas cautelares com base apenas em imagens de satélite que identifiquem a alteração de cobertura vegetal, o que, para os ambientalistas, esvazia o monitoramento de satélite.
Em entrevista ao Conexão Record News, André Guimarães, membro da Coalizão Brasil e diretor executivo do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), destaca a relevância do Brasil no uso da tecnologia de monitoramento por satélite ao longo dos anos.

“A gente hoje sabe o que está acontecendo no nosso território por conta dessa competência que a gente adquiriu ao longo das últimas décadas. E, infelizmente, um grupo de parlamentares decidiu que o Brasil não pode mais usar essa tecnologia. Ou seja, é um contrassenso absolutamente sem sentido. Eu só consigo imaginar que isso é um certo revanchismo, porque muitas vezes o satélite pega criminosos que não querem ser pegos”, aponta Guimarães.
Segundo ele, com esse tipo de decisão, muitos avanços são ignorados, no sentido de entender e cuidar do território. “Compromete o futuro da nossa produção agropecuária, porque a gente precisa da vegetação nativa, a gente precisa de harmonizar as áreas produtivas com as áreas de conservação, para a gente seguir produzindo agricultura", salienta.
“Sem as imagens de satélite, nós vamos ter que fazer essa fiscalização por terra. [...] Então, o que esse tipo de decisão faz é tornar a fiscalização muito mais difícil, muito mais cara, muito mais perigosa para os fiscais, porque vão estar batendo, às vezes, numa porteira de um criminoso que pode responder a tiro e, em última instância, tornando o zelo, o cuidado pelo nosso território mais ineficaz e mais ineficiente”, ressalta.
Guimarães ainda diz que, além do PIB (Produto Interno Bruto), a geração de emprego e o agronegócio podem ser colocados em risco com essa medida. “Em alguma dimensão, a gente coloca a segurança alimentar do planeta em risco, para não falar das mudanças climáticas, que também são afetadas negativamente pelo descontrole do desmatamento, que certamente advirá desse tipo de decisão do Congresso Nacional”, alerta.
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