Rejeição da PF à delação de Vorcaro endurece clima no STF e dificulta acordo
Interlocutores avaliam que PGR dificilmente comprará embate com a Polícia Federal para sustentar acordo fragilizado
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A rejeição da Polícia Federal à proposta de delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro provocou um endurecimento ainda maior no entorno do ministro André Mendonça e passou a ser vista como um fator de forte influência sobre o futuro do acordo no STF (Supremo Tribunal Federal).
No gabinete de Mendonça, o clima descrito por interlocutores é de distanciamento e rigor em relação à tentativa de acordo. Além disso, embora a PGR (Procuradoria-Geral da República) continue negociando com a defesa do dono do Banco Master, pessoas envolvidas nas discussões avaliam que a negativa da PF cria um obstáculo relevante para a homologação da colaboração.
A equipe do procurador-geral, Paulo Gonet, continua analisando o material, mas interlocutores acham difícil que a PGR compre uma briga com a polícia para defender um acordo fragilizado.
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A Polícia Federal recusou a delação por entender que o banqueiro não apresentou informações importantes e tentou proteger pessoas próximas e autoridades. Além disso, a PF avaliou que o que ele ofereceu não tinha novidades.
Nas últimas semanas, a polícia avançou nas investigações por conta própria, apreendeu celulares e prendeu o pai e um primo de Vorcaro. Com isso, o que o ex-banqueiro tinha para contar perdeu o valor de exclusividade.
Sem jogo político
A postura de Mendonça com a delação tem sido guiada por dois pontos. O primeiro é a exigência de provas concretas que sustentem eventual colaboração. O ministro tem deixado claro que delação não é um jogo político. Para ser aceita, ela precisa ser séria e vir acompanhada de provas concretas, como documentos e extratos, e não apenas de depoimentos.
O segundo ponto é que o ministro não tem aguardado a definição da delação para autorizar medidas na investigação. Foi Mendonça quem autorizou as prisões do pai e do primo do ex-banqueiro, em decisões fundamentadas na suspeita de tentativa de atrapalhar as apurações.
Pela legislação, a PGR pode formalizar um acordo de colaboração mesmo sem anuência da Polícia Federal. Ainda assim, a avaliação de investigadores e integrantes do sistema de Justiça é que a rejeição da PF acende um sinal vermelho.
Se os investigadores da PF apontarem que o ex-banqueiro mentiu ou omitiu dados, o ministro vai fazer uma análise minuciosa.
Para que o acordo seja validado, a PGR precisará provar que conseguiu tirar de Vorcaro segredos inéditos e valiosos. Caso contrário, a delação caminha para ser totalmente descartada no STF.
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