Convocação de Mauro Vieira expõe embate entre governo e oposição na Câmara
Parlamentares rejeitaram um pedido do governo para substituir a convocação do chanceler por um convite
Brasília|Amanda Garcia, do R7, em Brasília
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A convocação ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para prestar esclarecimentos sobre declarações envolvendo uma eventual ação militar dos Estados Unidos contra o Brasil provocou um embate entre parlamentares da oposição e da base do governo.
O requerimento foi aprovado nessa quarta-feira (8) pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara. Na ocasião, os parlamentares rejeitaram uma proposta apresentada pelo vice-líder do PT na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), para transformar o comparecimento obrigatório do ministro em um convite.
Segundo o deputado, a mudança daria maior flexibilidade para conciliar a agenda do ministro, que costuma realizar viagens internacionais.
O deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), líder da oposição, defendeu a manutenção da convocação: “Vamos manter a convocação porque é um fato novo. Queremos ouvir esse ministro irresponsável com essas declarações eleitoreiras”, disse.
Após a aprovação do requerimento, o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), que presidia a reunião, também criticou o posicionamento do chanceler.
Ele classificou as declarações como “irresponsáveis”, afirmou que Mauro Vieira “ideologiza a atuação do Itamaraty” e defendeu que o ministro compareça à comissão já na próxima semana para prestar esclarecimentos.
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As declarações
Enquanto deputados oposicionistas acusaram Mauro Vieira de fazer declarações “alarmistas” e “politiqueiras”, governistas saíram em sua defesa e afirmaram que o ministro apenas expôs uma possibilidade prevista na legislação americana.
O deputado Cabo Gilberto Silva defendeu que as afirmações do chanceler foram “graves”, “infelizes” e “eleitoreiras”, e que, em sua avaliação, colocam o Brasil em situação de desgaste internacional.
Para o deputado Sargento Fahur (PSD-PR), o ministro precisa explicar as declarações diretamente aos deputados. “O próprio governo deveria tranquilizar a população, mas o Itamaraty está dizendo que tropas americanas vão invadir o Brasil. Isso é mentira, isso é balela”, afirmou.
Em defesa do chanceler, o deputado governista Arlindo Chinaglia apontou que ele não disse que haveria uma invasão dos Estados Unidos ao Brasil, mas apenas mencionou um risco decorrente da legislação norte-americana.
“Soberania é quem controla o território do seu país. Quando o ministro Mauro Vieira falou da possibilidade de uso do poder militar, ele falou absolutamente a verdade. O ministro não afirmou que vai haver invasão. Ele simplesmente foi literal na interpretação”, declarou.
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