Lula diz que carrega nas costas ‘promiscuidade estabelecida na Suprema Corte’, após sair atrás no 1º turno
Em reunião com aliados em Brasília, presidente defende debates na TV, reforma na escolha de ministros do STF e pressa na PEC da Segurança
2026|Do R7
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O presidente Lula (PT), candidato à reeleição, afirmou nesta segunda-feira (5) que a campanha precisa reconquistar o interesse dos eleitores que deixaram de votar no primeiro turno.
A declaração foi feita durante a primeira reunião de coordenação da campanha após o pleito do último domingo, que aconteceu no Hotel San Marco, na Asa Sul, em Brasília, e procurou definir a estratégia para o segundo turno, que acontecerá no último domingo do mês, dia 25 de outubro.
Segundo Lula, cerca de 30 milhões de pessoas não compareceram às urnas na última eleição e a principal causa para isso foi um possível desinteresse do brasileiro. Ele afirmou que cabe à campanha devolver a essas pessoas a vontade de participar do processo eleitoral.
Nesse sentido, Lula destacou que pretende fazer mais entrevistas em rádio, meio que, disse, usou pouco até aqui, e voltar às ruas com novas passeatas. “Vamos dormir menos, vamos trabalhar mais”, disse.
Lula também defendeu a participação em debates na televisão contra Flávio Bolsonaro nesta etapa da disputa. “Agora é importante ter debate na televisão, porque agora é tête-à-tête. Agora é um contra um”, afirmou.
No primeiro turno, nem Lula, nem Flávio Bolsonaro compareceram aos debates entre os presidenciáveis, o que foi muito criticado pelos especialistas e eleitores nas redes sociais.
Mais cedo, o coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), senador Rogério Marinho (PL-RN), também disse que o candidato do PL quer debater com Lula e que a campanha vai anunciar até quarta-feira (7) de quais encontros participará.
Primeiro turno
Na votação de domingo, Lula recebeu 53.876.617 votos, o equivalente a 45,16% dos votos válidos, e ficou em segundo lugar. Flávio Bolsonaro terminou na liderança, com 56.104.268 votos (47,03%), uma diferença de cerca de 2,2 milhões de votos, segundo o TSE.
Diante do resultado, Lula pediu aos aliados que olhem para os próprios erros em vez de culpar adversários.
“Nós temos que procurar o que que nós não fizemos corretamente, que a gente agora tem que fazer. Em vinte dias, temos que fazer mais rápido e mais bem feito”, disse.
O presidente também apontou os temas que, segundo ele, a candidatura terá de enfrentar até o segundo turno. Um deles é o papel do Supremo.
Reforma do Judiciário
Lula fez críticas ao STF (Supremo Tribunal Federal) e defendeu uma nova reforma do Judiciário. Ele disse que carrega “uma coisa muito grave que é a promiscuidade que foi estabelecida na Suprema Corte brasileira depois da Constituição”.
O presidente lembrou que a primeira reforma do Judiciário foi feita em seu primeiro governo, mas afirmou que ela não deu o resultado esperado porque o corporativismo tomou conta dos conselhos.
Agora, segundo ele, a sociedade precisa discutir qual deve ser o critério de escolha dos ministros do Supremo e se eles devem ter mandato. “É verdade que ninguém está acima da lei e nem os ministros da Suprema Corte estão acima da lei”, disse.
Para Lula, o tema é difícil, mas necessário, porque a Corte estaria hoje sob desconfiança da população. Também nesta segunda, Marinho havia criticado ministros do STF, a quem acusou de se colocarem “no centro do palco político”.
Segurança pública
Na área da segurança, Lula afirmou que o modelo atual fracassou. “O dado concreto é, do jeito que tá, não deu resultado. O crime organizado ganhou a parada”, disse.
O presidente pediu aos aliados que ajudem a aprovar a PEC da Segurança Pública o mais rápido possível, sem esperar a posse dos senadores eleitos neste ano. Segundo ele, a proposta permitirá um orçamento maior para a área, já que os recursos atuais não atenderiam sequer às necessidades de estados como Piauí ou Bahia.
Lula defendeu ainda a criação de uma força nacional com efetivo próprio, em vez do modelo atual, que reúne policiais cedidos pelos estados. Ele afirmou que nenhuma política de segurança vai funcionar sem a presença do Estado nas comunidades, com escola, saúde e policiamento por bairro.
Ao fim do encontro, diante das câmeras das redes de televisão, Lula resumiu o tom da reunião. “Se preparem porque nós vamos ganhar essa eleição”, disse.
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